Coronéis líbios se negam a atacar população e fogem para Malta em caças

Dois jatos Mirage e helicóptero aterrissam em Valeta e um dos pilotos pede asilo político no país

estadão.com.br,

21 de fevereiro de 2011 | 16h12

  Soldados vigiam os caças em aeroporto de Valeta. Foto: AP

VALETA - Dois coronéis da Força Aérea Líbia desertaram nesta segunda-feira, 21, após se negaram a bombardear manifestantes pró-democracia. Eles fugiram para Malta, no Mediterrâneo, onde um deles pediu asilo político.

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Os dois jatos Mirage aterrissaram no Aeroporto Internacional de Malta nesta tarde junto de um helicóptero civil que carregava sete cidadãos franceses.

De acordo com fontes militares maltesas, um dos coronéis comunicou durante o voo de Trípoli a Valeta que pediria asilo. Os caças voaram fora do espaço aéreo líbio para evitar serem detectados.

Na Líbia, o ditador Muamar Kadafi ordenou que aviões militares atacassem manifestantes que, pelo quinto dia, protestam pela sua renúncia. De acordo com testemunhas, ao menos 161 pessoas morreram entre ontem e hoje. 

Algumas cidades do leste do país, como Benghazi e Bayda, já estão sob controle dos manifestantes, com o auxílio de militares e policiais que mudaram de lado. Em Trípoli, onde há manifestações desde domingo, ao menos 160 pessoas morreram, diz a TV Al-Arabya.

A praça dos Mártires foi palco de enfrentamentos entre os dissidentes e forças de segurança desde as primeiras horas da manhã. A sede central do governo líbio e o prédio que abriga o Ministério da Justiça foram incendiados.

A violenta repressão desencadeada pelo regime rachou também o governo de Kadafi. O ministro da Justiça, os embaixadores líbios nas Nações Unidas e na Liga Árabe, além de chefes de representações diplomáticas no Reino Unido, Índia, China e Suécia renunciaram.

Em outro golpe para Kadafi, representantes da tribo Warfla, a maior do país, manifestaram apoio aos protestos contra o governo. O apoio da maioria das tribos foi crucial para Kadafi manter-se no poder desde 1969. Um grupo de líderes religiosos também emitiu uma fatwa (decreto religioso) conclamando os fiéis a derrubarem o regime.

"Eles demonstraram uma impunidade arrogante. Continuam, e aumentam, seus crimes sangrentos contra a humanidade. Demonstraram total infidelidade aos ensinamentos de Deus e seu amado profeta (que a paz esteja com ele)", diz o grupo, denominado Rede dos Ulemás Livres da Líbia.

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Com AP, Reuters e Efe

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