HELMUT FOHRINGER / APA / AFP
HELMUT FOHRINGER / APA / AFP

Coronel austríaco espionou para Rússia durante décadas, diz Viena

A Áustria foi um dos poucos países da UE que não expulsou nenhum diplomata russo em represália ao envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha Yulia no Reino Unido

O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2018 | 16h08

VIENA - Um militar austríaco de alta patente é suspeito de ter espionado para Moscou durante décadas, anunciou o governo da Áustria nesta sexta-feira, 9, uma revelação que ampliou uma lista de casos recentes de espionagem russa e azedou as relações de Moscou com um país considerado o aliado mais próximo da Rússia na União Europeia. O espião seria um coronelaposentado

A Áustria foi um dos poucos países da UE que não expulsou nenhum diplomata russo em represália ao envenenamento do ex-espião Serguei Skripal e sua filha Yulia no Reino Unido, um ataque que Londres atribuiu a Moscou. A Rússia nega qualquer envolvimento.

O chanceler conservador austríaco, Sebastian Kurz, que governa em uma coalizão com o Partido da Liberdade de extrema direita e pró-Moscou, disse que a decisão se alinha à neutralidade de sua nação e à sua tradição de manter boas relações com países dos dois lados da antiga Cortina de Ferro.

Viena é um centro diplomático importante que abriga muitas autoridades estrangeiras.

Mas Kurz endureceu o discurso nesta sexta-feira, anunciando que se acredita que um coronel recém-aposentado espionou para os russos dos anos 90 até este ano. 

“Se a suspeita for confirmada, tais casos... não melhoram as relações entre a Rússia e a União Europeia”, disse ele a repórteres, sem mencionar o suspeito. O caso foi encaminhado a procuradores, e o ex-coronel foi interrogado.

O ministro de Defesa, Mario Kunasek, do ultranacionalista FPÖ, indicou que estão sendo analisados computadores e outros equipamentos técnicos do coronel.

Kunasek disse que não pode descartar a possibilidade de o coronel ter facilitado o acesso a informações e a Rússia vinha mostrando interesse sobre sistemas de armas, a situação migratória no país e dados sobre pessoas concretas.

O FPÖ, parceiro minoritário no governo Kurz, mantém um acordo de colaboração com a Rússia Unida, a formação de Putin, e defendeu o fim das sanções da União Europeia à Rússia.

A ministra das Relações Exteriores austríaca, Karin Kneissl, que dançou com o presidente russo, Vladimir Putin, quando se casou em agosto, cancelou uma viagem planejada a Moscou em reação ao caso. Ela também convocou o encarregado de negócios russo, já que o embaixador está fora do país.

“Por ora, estamos exigindo informações transparentes do lado russo”, disse Kurz.

Reações

Na capital russa, o chanceler Serguei Lavrov disse que ficou “desagradavelmente surpreso” com as alegações de Viena e Moscou não sabe nada sobre o militar aposentado, relataram as agências de notícias RIA e Interfax.

A Rússia, por sua vez, convocou o embaixador austríaco no país, Johannes Eigner, segundo uma fonte do governo russo à agência Interfax.

Moscou rejeitou as acusações do governo austríaco e lamentou que o país não siga as condutas diplomáticas tradicionais estabelecidas para esses casos. / AFP e EFE 

 

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