'Coronel do Distrito 8', Boehner quer manter poder

Terceiro homem mais poderoso dos EUA, líder máximo na Câmara dos Deputados e segundo na linha sucessória da Casa Branca, o republicano John Boehner domina sem rivais um território particular de seu país. No Distrito Eleitoral 8 do Estado americano de Ohio, o deputado federal é como um coronel da República Velha brasileira, com eleitorado cativo e muito bem identificado. Nas eleições deste ano nos EUA, também para o Legislativo, sua preocupação não será reeleger-se. Boehner quer garantir seu posto na presidência da Câmara, ameaçado por seus próprios companheiros de legenda.

CINCINNATI, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2012 | 03h07

Como líder da bancada, ascendeu à presidência da Casa em 2010 e conduziu com afinco a tarefa de bloquear os projetos do governo de Barack Obama. Em especial, os contrários aos princípios da direita radical republicana, o Tea Party, e os capazes de tornar o governo mais simpático aos eleitores independentes.

Em julho de 2011, negociou um acordo de redução do déficit público com Obama, mas recuou na última hora, por pressão de sua base. A decisão expôs o governo federal ao risco da suspensão de pagamentos, contornado por um acordo de menor envergadura. O resultado foi o rebaixamento, pela primeira vez na história dos EUA, da avaliação de risco de crédito dos títulos do Tesouro americano. A imagem de Boehner, entretanto, não sofreu nenhum arranhão no Distrito 8 de Ohio.

Nesta eleição, nenhum democrata apresentou-se para competir com Boehner no Distrito 8. Como candidato único, já está reeleito para o 12.º mandato. Tranquilo nesse campo, Boehner tem se desdobrado para arrecadar recursos e estimular a campanha de colegas para a Câmara. Não apenas para garantir a maioria republicana, já apontada com folga pelas pesquisas. Mas para se reeleger presidente da Casa.

Aos 64 anos, Boehner tem como prováveis concorrentes dois expoentes jovens da direita radical republicana: Eric Cantor, de Virgínia, e Paul Ryan, de Wisconsin. Ryan concorre como candidato duplo nessas eleições: a vice-presidente dos EUA, na condição de companheiro da chapa de Mitt Romney, e a seu oitavo mandato na Câmara.

No dia 10, o coronel do Distrito 8 fez uma aposta arriscada, mas que certamente lhe renderá um fiel escudeiro. Em Boston, Massachusetts, abrilhantou um evento de arrecadação para a campanha do senador estadual Richard Tisei para a Câmara dos Deputados. Tisei é homossexual assumido e Boehner se opôs à aprovação de todos os projetos da Casa Branca em favor dos direitos dos gays. "Eu preciso de 25 cadeiras (na Câmara) para ter meu trabalho de volta", afirmou Boehner.

Um voto cativo seria de Linda Meineke. Mas ela e o marido, desempregado há quatro anos, não vivem no Distrito de Boehner. Linda é fascinada por Boehner e ocupa a mesma função que o poderoso presidente da Câmara exercia na adolescência - o balcão do boteco Andy's Café, propriedade do pai dele nos anos 60. Boehner voltou ao local pelo menos duas vezes nos últimos anos, lembra Linda. Uma delas, para gravar uma entrevista ao programa jornalístico 60 Minutes, da CBS News. "Eu votaria por ele", afirmou ao Estado.

A impressão de Ted Bailly, gerente de loja de departamento, e de Ken McKinney, não é a mesma. Ambos fazem parte dos pequenos grupos de eleitores democratas e afroamericanos moradores de West Chester. Escolheram o local em razão da qualidade da educação pública. "Eu nunca vi Boehner aqui, não me lembro de nada bom que tenha feito por nós, nem sabia que estava concorrendo sozinho neste distrito", afirmou Ken, que atua na área de educação para enfermagem. / D.C.M.

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