CORONEL FOI ÀS COMPRAS NA RÚSSIA E NA CHINA

Chávez queria fazer da Venezuela uma 'potência continental'. E fracassou.

ROBERTO GODOY, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2013 | 02h01

O coronel Chávez, como o identificava a faixa de posto colada no peito da farda camuflada, era paraquedista e tinha um plano: fazer da Venezuela uma potência militar regional "incontestável", a palavra forte de seu discurso de comandante supremo.

Custou caro. E não deu certo. Os programas de modernização e reequipamento das forças consumiram US$ 17 bilhões entre 2006 e 2011. A meta final de Chávez bateu na casa dos US$ 60,5 bilhões, envolvendo contratos ainda em negociação. As encomendas foram feitas principalmente na China e na Rússia, embora Irã e Ucrânia tenham recebido pedidos específicos - sistemas eletrônicos, por exemplo.

O processo começou há cerca de dez anos, quando a Venezuela negociou a compra direta de 100 mil fuzis AK-47, metade dos quais produzidos em uma fábrica instalada no território venezuelano. Os negócios brasileiros não prosperaram. Aviões Super Tucano de ataque leve e também caças bombardeiros AMX estavam na lista do coronel Hugo. A operação foi vetada: as aeronaves da Embraer utilizam componentes americanos e o então presidente George W. Bush ameaçou bloquear o fornecimento.

Chávez, irritado, recorreu aos russos. Ganhou um crédito de US$ 3,5 bilhões, podendo chegar a US$ 5 bilhões. O dinheiro cobriu um pacote e tanto: 24 avançados caças Su-30, os mais poderosos do continente, helicópteros artilhados, mísseis antiaéreos, blindados sobre rodas, tanques pesados, radares de campo com alcance acima de 80 quilômetros, além de quatro hospitais de campanha e capacetes com acessórios eletrônicos.

Em Pequim, Chávez adquiriu quatro radares digitais de vigilância aérea e uma frota completa de jatos K-8W para ataque ao solo e treinamento avançado, além de bombas guiadas e foguetes ar-terra.

Desde setembro de 2008, discutia a aquisição de 7 a 11 submarinos, um dos quais, "necessariamente com o motor nuclear e sendo capaz de jogar mísseis"(sic), conforme declarou em entrevista coletiva, em Moscou, ao lado do presidente Vladimir Putin, anunciando "a formação de uma super Marinha".

Aparentemente, era demais, mesmo para o estilo objetivo do governo russo. O contrato nunca foi assinado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.