Coronel prevê nova queda de Chávez antes de agosto

O coronel do Exército venezuelano Julio Rodríguez Salas, que participou do fracassado golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez, previu hoje uma nova crise e a queda de seu governo antes de agosto, publicou o jornal venezuelano El Nacional.Rodríguez Salas, que diz ter acompanhado Chávez durante sua saída forçada do Palácio Miraflores na madrugada do dia 11, quando foi derrubado, assegura que a crise de governabilidade em seu país, a extrema polarização política em torno de Chávez e a fratura da Força Armada Nacional derivarão em novas tentativas de derrubar o presidente.?Este processo não tem retorno, não creio que (Chávez) chegue a terminar seu mandato (em 2006), nem sequer acredito que chegue a agosto", destacou. Rodríguez Salas assegurou também que Chávez chegou a "renunciar verbalmente" diante do alto comando militar, mas não assinou a renúncia, pois mudou de opinião depois, aceitando apenas "abandonar o cargo". O coronel disse que Chávez escreveu de próprio punho a carta de abandono, mas também não chegou a assiná-la, pois foi resgatado pelas forças leais na Ilha La Orchila.Dando seqüência a seu projeto de diálogo com os distintos setores do país para resolver as diferenças que levaram parte da população civil e militares a apoiarem um golpe, Chávez nomeou hoje o ministro da Defesa, José Vicente Rangel, "porta-voz" do processo de diálogo nacional.Rangel reuniu-se hoje mesmo com diretores dos canais privados de televisão - a quem Chávez acusou de ter apoiado o golpe - e com o líder sindical Carlos Ortega. Ortega, presidente da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CVT), e Pedro Carmona, presidente da patronal Fedecámaras, haviam convocado a greve geral da semana passada, que deu início à agitação política. O ministro informou que deu garantias de segurança a Ortega e sua família, depois que o líder sindical disse temer ser vítima de represálias.Rangel, que falou com jornalistas em um ato oficial pela comemoração dos 192 anos da proclamação da independência da Venezuela, disse que o diálogo iniciado quinta-feira pelo governo tem como objetivo "diminuir as tensões". Os venezuelanos celebraram hoje o Dia da Independência com a grande ausência de Chávez, que suspendeu na última hora sua primeira aparição pública, alegando excesso de trabalho. Cerca de 200 "chavistas" reunidos na Praça Bolívar aguardaram durante horas a aparição de Chávez.CubaO presidente de Cuba, Fidel Castro, afirmou hoje que a chancelaria cubana se comunicou no fim de semana passado com as embaixadas de 21 países em Havana, entre elas a da Espanha, "para evitar que (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez se imolasse no Palácio Miraflores, tal como se propunha".Fidel fez as declarações ao jornal cubano Juventud Rebelde depois de o primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, revelar que seu governo havia recebido dois pedidos de ajuda de Cuba - uma para contribuir na saída de Chávez da Venezuela e outra para impedir a violência contra a embaixada de Cuba em Caracas.

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