Corpo de Chávez será embalsamado e velório é estendido por mais 7 dias

O funeral do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, será ampliado em ao menos sete dias e seu corpo será embalsamado. Hoje, Nicolás Maduro será juramentado como presidente interino e eleições serão convocadas, anunciou o presidente da Assembleia Nacional Diodado Cabello. Pelo segundo dia seguido, Caracas foi tomada por uma multidão de pessoas de vermelho, enlutadas, que velaram o líder bolivariano, que não resistiu a uma luta de quase dois anos contra o câncer e morreu na terça-feira. Líderes de mais de 80 países devem participar hoje do adeus a Chávez, que, ao contrário do previsto inicialmente, não será marcado por seu sepultamento. Após o embalsamamento, o corpo será exibido no Museu Histórico da Revolução.

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2013 | 02h05

Ontem, do lado de fora da Academia Militar de Caracas, simpatizantes do presidente fizeram filas quilométricas ao longo do dia e exigiram uma oportunidade de prestar a última homenagem a Chávez.

A decisão pegou a oposição venezuelana de surpresa. A Mesa da Unidade Democrática, aliança de opositores, aguardava o fim do luto de sete dias para começar a campanha presidencial para a nova eleição que deve ser realizada, segundo a Constituição, em até 30 dias após a morte de Chávez. O prolongamento do luto e da comoção nacional favorecem o candidato chavista Nicolás Maduro, acreditam a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Antonio Patriota, que estavam ontem em Caracas. Dilma crê que é necessário respaldar o processo político na Venezuela, que caminha para uma vitória eleitoral de Maduro.

A presidente e seu antecessor lamentaram o fato de o líder venezuelano ter rejeitado a oferta de tratar seu câncer - que mesmo depois de sua morte não foi especificado - no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, referência na América Latina. Chávez preferiu fazer o tratamento em Cuba por "questões de segurança de Estado".

Na avaliação de Dilma e de Lula, Chávez tomou uma decisão ideológica e política num momento delicado. Embora não tenham informações completas sobre o quadro clínico de Chávez no momento da decisão de continuar o tratamento em Cuba, em 2011, petistas influentes consideraram uma temeridade recorrer ao sistema de saúde cubano.

Entre os principais líderes presentes na cerimônia, estão os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, do Uruguai, José Mujica, da Bolívia, Evo Morales, do Equador, Rafael Correa, e de Cuba, Raúl Castro, além de outros aliados, como o iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

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