Corpo de indiana vítima de estupro coletivo é cremado em Nova Délhi

O corpo de uma jovem cujo estupro coletivo provocou protestos e um raro debate nacional sobre a violência contra a mulher na Índia chegou a Nova Délhi no domingo e foi cremado em uma cerimônia privada.

BY ADNAN ABIDI AND DEVIDUTTA TRI, Reuters

31 de dezembro de 2012 | 09h53

Tumultos entre a polícia e manifestantes ocorreram no centro da capital. Os que protestam dizem que o governo está fazendo muito pouco para proteger as mulheres. Mas a manifestação, que contou com 2.000 pessoas, foi restringida a uma área, diferentemente dos protestos da semana passada, que ocorreram em praticamente toda a cidade.

A maioria dos crimes sexuais na Índia passam despercebidos, e os criminosos ficam sem punição. Além disso, a Justiça é lenta demais, de acordo com ativistas sociais, que dizem que governos sucessivos não fizeram quase nada para assegurar a segurança das mulheres.

A vítima de 23 anos, que não foi identificada, morreu no sábado, vítima dos ferimentos ocorridos durante o estupro coletivo de 16 de dezembro, provocando promessas de ação por parte de um governo que tem tido dificuldade para responder à revolta pública.

A estudante de medicina sofreu lesões cerebrais e grandes lesões internas no ataque e morreu no hospital em Cingapura, aonde foi levada para tratamento.

Ela e um amigo voltavam para casa do cinema, quando seis homens em um ônibus os agrediram com barras de metal e estupraram repetidamente a mulher. O amigo sobreviveu.

Nova Délhi tem o maior número de crimes sexuais entre as grandes cidades indianas, e um estupro é reportado a cada 18 horas, segundo dados da polícia. O número de estupros cresceu quase 17 por cento entre 2007 e 2011, de acordo com dados do governo.

Seis suspeitos foram acusados de assassinato após a morte da moça, e podem receber pena de morte em caso de condenação.

Em Calcutá, uma das quatro maiores cidades do país, a polícia disse que um homem informou que sua mãe foi estuprada e morta por um grupo de seis homens no sábado. Ela foi assassinada quando voltava para sua casa com o marido, disse uma autoridade, e os agressores jogaram ácido no marido antes de estuprá-la e matá-la. Depois, jogaram o corpo em uma lagoa.

"MISOGINIA"

O corpo da jovem foi levado a um crematório. A imprensa foi mantida longe do lugar, mas uma testemunha da Reuters viu a família da jovem, a ministra-chefe de Nova Délhi, Sheila Dikshit, e o ministro júnior do Interior, R P N Singh, deixando o crematório.

Assuntos sobre estupros, crimes relacionados a dotes e infanticídio feminino estão no centro da discussão política.

Especialistas dizem que a morte da jovem, apelidada de "Amanat", ou "tesouro" no idioma urdu, pode causar mudanças no país, embora seja muito cedo para dizer se os manifestantes podem manter a força atual de pressão até as eleições nacionais de 2014.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu mudanças, e foi acompanhado por comentaristas e sociólogos. Os jornais locais levantaram dúvidas sobre o comprometimento dos políticos homens e da polícia em impedir a violência contra a mulher.

"O sistema e a classe política indiana seriam tão indiferentes quanto ao assunto da violência sexual se metade ou pelo menos um terço dos legisladores fossem mulheres?", questionou o jornal Hindu.

(Reportagem adicional de Ross Colvin e Diksha Madhokin em Nova Délhi e Sujoy Dhar em Calcutá)

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