EFE/IQBAL LUBIS
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Corpo de mãe agarrada a bebê é encontrado na Indonésia; número de mortos passa de 1,5 mil

Ichsan Hidayat afirmou que agentes de resgate recuperaram os corpos de sua irmã e de sua sobrinha de 43 dias no bairro de Petobo, que foi varrido do mapa, no sul da cidade de Palu; balanço oficial de vítimas está em 1.571 pessoas

O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2018 | 10h24

PALU, INDONÉSIA - Uma semana depois de um grande terremoto devastar a ilha indonésia de Celebes, Ichsan Hidayat disse que os corpos de sua irmã e de sua sobrinha de 43 dias foram encontrados sob um mar de lama e destroços, com a mãe agarrando a bebê junto ao peito.

Ichsan não estava em Celebes na sexta-feira passada, quando o terremoto de 7,5 graus na escala Richter ocorreu e desencadeou o fenômeno chamado liquefação do solo, que transforma a terra em um lamaçal turvo.

O bairro de Petobo, no sul da cidade de Palu, onde sua irmã Husnul Hidayat morava com a filha Aisah, foi varrido do mapa. Os agentes de resgate que recuperaram os corpos disseram a Ichsan  que sua irmã foi encontrada agarrada a Aisah.

“Hoje rezei para que estejam em um lugar melhor. Elas merecem”, disse Ichsan  ao terminar as orações de sexta-feira em uma mesquita no centro de Palu, situada 1,5 mil quilômetros a nordeste de Jacarta, capital da Indonésia.

Os fiéis se ajoelharam para rezar em tapetes vermelhos estendidos do lado de fora da mesquita, já que o edifício foi considerado inseguro devido aos danos do tremor.

A Indonésia tem a maior população muçulmana do mundo, mas também tem redutos cristãos, incluindo em Celebes, e de outras religiões.

O balanço oficial de mortes causadas pelo terremoto e pelo tsunami provocado pelo tremor está em 1.571, mas este número deve aumentar à medida que os corpos forem recuperados.

A maioria dos mortos foi encontrada em Palu. As cifras de áreas mais remotas, algumas ainda isoladas por estradas destruídas e deslizamentos de terra, estão chegando aos poucos, quando chegam.

Ninguém sabe quantas pessoas foram arrastadas para a morte quando o chão sob Petobo e áreas próximas ao sul de Palu se dissolveu tão violentamente.

A agência nacional de combate a desastres disse que, só em um bairro, 1.700 casas foram engolidas e centenas de pessoas morreram.

Hasnah, de 44 anos, também moradora de Petobo, tem dificuldade para se lembrar de todos os parentes que está tentando encontrar na vastidão de lama e escombros.

“Mais da metade da minha família morreu”, contou ela, soluçando. “Nem consigo contar quantos são. Dois dos meus filhos morreram, meus primos, minha irmã, meu cunhado e seus filhos, todos morreram”. / REUTERS

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