Corpo de ministro libanês assassinado é velado no Líbano

O corpo do ministro libanês Pierre Gemayel, assassinado na terça-feira nos arredores de Beirute, foi transferido nesta quarta-feira, feriado da Independência no Líbano, para sua cidade natal, Bikfaya, em meio a uma grande tensão entre a população a favor e anti-Síria. Envolvido com a bandeira do Kataeb - o partido cristão libanês do qual Gemayel era um dos líderes -, e não com a de seu país, o caixão foi levantado por seus seguidores, enquanto milhares de pessoas choravam a sua passagem. Em Bikfaya, além da família e dos habitantes da cidade, situada ao nordeste de Beirute, estavam vários membros das Forças do 14 de Março, a coalizão anti-Síria da qual o ministro assassinado, que tinha 34 anos, fazia parte. Em reunião extraordinária, as Forças do 14 de Março decidiram fazer amanhã um funeral nacional e popular em Beirute, e pediram à população que faça uma nova "intifada da independência", em alusão às enormes manifestações realizadas após o assassinato de Rafik Hariri. O ex-primeiro-ministro Hariri foi assassinado em fevereiro de 2005, o que propiciou a retirada dos soldados e dos agentes sírios do Líbano após décadas de presença, além de acelerar a queda do governo pró-sírio de Omar Karami. Compareceram também nesta quarta-feira a Bikfaya os ex-primeiros-ministros Salim Hoss e Najib Mikati, assim como outras personalidades libanesas. Nenhum representante da corrente pró-Síria compareceu aos eventos. A morte de Gemayel faz parte da longa lista de personalidades assassinadas por defender a independência do Líbano da tutela estrangeira, principalmente da Síria, embora todos estes assassinatos tenham ficado sem explicação. Manifestações espontâneas ocorreram na terça-feira em vários bairros de Beirute e em outras partes do Líbano, onde foram queimados pneus e cantadas músicas contra a Síria e seus aliados libaneses. Tanto Damasco quanto os grupos libaneses pró-sirios condenaram o atentado. O pai do ministro assassinado, o ex-presidente Amin Gemayel, e o primeiro-ministro Fouad Siniora pediram calma, embora tenham afirmado que o sangue do ministro "não foi derramado em vão". O assassinato de Gemayel aconteceu horas antes de o Conselho de Segurança das Nações Unidas ter aprovado um projeto de criação de um tribunal internacional que julgará os assassinos de Hariri, assim como os de outras personalidades assassinadas desde outubro de 2004 por defender a independência do país. A criação deste tribunal provocou muita tensão no Líbano, dividido entre a população pró e anti-Síria, e deu origem a em uma grave crise política que faz temer pelo retorno dos confrontos no Líbano e da série de atentados políticos que ensangüentaram o país desde outubro de 2004. Gemayel pertence a uma família que marcou a vida política do Líbano, e que já teve outros membros assassinados, como seu tio Bachir, ex-presidente do país; e sua filha Maya, de 4 anos, mortos em dois atentados com carros-bomba durante a guerra civil libanesa (1975-1990). O avô de Pierre Gemayel foi o fundador do partido Kataeb, inspirado nos partidos europeus da extrema direita e que, desde seu início, lutou pela independência do Líbano tanto da França quanto do nacionalismo árabe de esquerda.

Agencia Estado,

22 Novembro 2006 | 11h24

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.