Corpo de nazista busca uma tumba

Erich Priebke morreu sexta-feira, aos 100 anos

O Estado de S.Paulo / AFP e AP

15 de outubro de 2013 | 02h09

ROMA - Quatro dias depois da morte do criminoso de guerra nazista Erich Priebke, aos 100 anos, seu corpo ainda não encontrou sepultura. Os governos de Argentina e Alemanha, bem como o Vaticano e a prefeitura de Roma, onde ele morreu na sexta-feira, negam-se a celebrar um funeral religioso.

Ontem, o advogado e amigo de Priebke, Paolo Giachini, anunciou que uma cerimônia privada e discreta seria feita na residência onde o ex-capitão da SS cumpria prisão domiciliar. Segundo a agência AFP, a possibilidade de enviar os restos mortais de Priebke para a Alemanha também é analisada. "Ele poderia ser cremado em seu país natal", explicou uma fonte do ministério das Relações Exteriores da Alemanha. "No entanto, o governo não tem motivo para se pronunciar porque não foi apresentada uma solicitação oficial."

O diretor do Centro Simon Wiesenthal - organização que monitora criminosos nazistas para que respondam por seus crimes -, Efraim Zuroff, propôs que o corpo do ex-oficial fosse enviado para a Alemanha. Em entrevista ao jornal La Stampa, Zuroff afirmou que essa seria a melhor opção.

Para o presidente da Comunidade Judaica de Roma, Riccardo Pacifici, o funeral na capital italiana é algo inconcebível, porque a cidade foi o palco de seu crime mais hediondo durante a guerra. "Não é correto ele ser enterrado aqui."

O prefeito de Roma, Ignazio Marino, manifestou-se contrário ao sepultamento, apesar de a lei italiana prever que qualquer um tem o direito de ser enterrado na cidade onde morreu. "Vou fazer de tudo para impedir que Priebke seja enterrado em Roma", disse. "A 'Cidade Eterna' é antinazista e antifascista." Roma anunciou ainda que proibiu "todas as formas de celebração pública ou solene em honra de Priebke" por "razões de segurança".

Priebke viveu quase 50 anos na Argentina antes de extraditado para a Itália, em 1995, depois que uma emissora de televisão americana exibiu uma reportagem sobre ele. Pelo Twitter, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina apressou-se em rejeitar o cadáver. "Argentinos não aceitarão este tipo de afronta à dignidade humana", disse a mensagem.

Durante seu julgamento, Priebke admitiu ter atirado em duas pessoas no assassinato de 335 civis, entre eles 75 judeus, nos arredores de Roma em março 1944. Também disse ter capturado outras vítimas, no maior massacre cometido pelas tropas nazistas na Itália, em retaliação a um ataque que matou 33 membros de uma unidade da polícia militar nazista. Ele insistiu que só havia seguido ordens e nunca se desculpou oficialmente.

Defensor do nazista, Giachini lançou uma campanha para poder enterrá-lo na Itália e transformá-lo em símbolo da extrema direita europeia. O advogado divulgou uma confusa entrevista-testamento na qual Priebke defende seu passado e garante que o Holocausto foi inventado pelos vencedores da 2.ª Guerra.

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