Corpo de Yasser Arafat será exumado

Exame em laboratório na Suíça indicou presença de substância radioativa em roupas do líder palestino, que pode ter sido envenenado

TEL-AVIV, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2012 | 03h07

Um novo exame das circunstâncias da morte de Yasser Arafat, em 2004, reviveu as acusações dos palestinos de que o líder foi envenenado e levou ontem a Autoridade Palestina (AP) a concordar em exumar seu corpo, após a descoberta de novas suspeitas de traços do elemento radioativo polônio-210 em suas roupas. Uma comissão internacional deverá investigar o caso.

O pedido para que os restos mortais de Arafat sejam retirados do seu mausoléu na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, partiu de Suha Arafat, viúva do líder histórico da causa palestina.

Um instituto suíço examinou as roupas fornecidas por Suha como parte de uma reportagem da emissora de TV Al-Jazeera. Foram encontrados níveis "surpreendentemente altos" de polônio-210, embora os sintomas descritos nos boletins médicos de Arafat não fossem consistentes sobre esse elemento radioativo.

"Quero que o mundo saiba a verdade sobre o assassinato de Yasser Arafat", disse Suha à Al-Jazeera, sem fazer acusações diretas, mas observando que Israel e os Estados Unidos o viam como um obstáculo à paz.

Saeb Erekat, negociador palestino e uma das pessoas mais próximas ao presidente Mahmoud Abbas, afirmou que, após as autoridades religiosas permitirem, a exumação deverá ocorrer em questão de dias.

Segundo Erekat, o próximo passo da AP será solicitar uma investigação similar à realizada pela corte com apoio da ONU, que investigou o assassinato do premiê libanês Rafik Hariri. "Não faz tanto tempo (que Arafat morreu). Nossas recordações ainda estão vivas."

"A AP, como sempre, está disposta a cooperar completamente e a liberar o caminho para uma investigação sobre as verdadeiras causas que levaram ao martírio do falecido presidente", disse Nabil Abu Rdeineh, porta-voz do de Abbas. Ele não citou prazos para a exumação.

Histórico. Arafat, ex-guerrilheiro e ganhador do Prêmio Nobel da Paz, morreu em 11 de novembro de 2004, aos 75 anos. Na época, ele havia rompido com Israel, depois da violenta interrupção do processo de negociação de paz, em 2000.

Depois de passar muito tempo de cama, Arafat foi transferido nos seus últimos dias de vida para Paris, onde médicos disseram ser incapazes de determinar a causa de sua morte. Autoridades francesas recusaram-se a apresentar detalhes sobre sua suposta doença, amparando-se em leis que protegem a privacidade.

Os registros médicos de Arafat foram obtidos pelo New York Times em 2005 e indicavam que ele havia morrido de um derrame, que resultou de um distúrbio sanguíneo decorrente de uma infecção - cuja causa não foi identificada. Nenhum traço de substâncias venenosas foi encontrado. Duas comissões palestinas de investigação não conseguiram obter provas conclusivas sobre o suposto envenenamento.

Responsabilidade. Israel negou envolvimento na morte de Arafat e Avi Dichter, na época chefe do serviço de inteligência do país, o Shin Bet, disse ontem que o ônus da prova cabe aos palestinos. "O corpo está nas mãos deles. Está em Ramallah e, realmente, todos os elementos estão nas mãos deles", afirmou Dicther à Rádio Israel. / REUTERS e NYT

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