AFP PHOTO / TOM WALL
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Corpo mutilado encontrado na Dinamarca é de jornalista sueca desaparecida

Kim Wall desapareceu no dia 10 de agosto a bordo de um submarino projetado pelo inventor Peter Madsen, o qual ela deveria entrevistar; segundo a necropsia, braços, pernas e cabeça foram ‘deliberadamente seccionados’

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2017 | 12h42

ESTOCOLMO - O torso humano encontrado no mar da Dinamarca pertence à jornalista sueca Kim Wall, que desapareceu no dia 10 de agosto a bordo de um submarino projetado por um inventor que ela viajou para entrevistar,  informou a polícia do país.

O torso de mulher, cujos braços, pernas e cabeça foram "deliberadamente seccionados", segundo a necropsia, foi encontrado na véspera por uma pessoa que estava na Baía de Koge", a 50 quilômetros ao sul de Copenhague.

O inventor dinamarquês Peter Madsen, de 46 anos, é suspeito de "homicídio culposo por negligência", mas o comandante da Polícia Criminal em Copenhague, Jens Moller Jensen, não descartou a possibilidade de modificar a acusação.

A identificação do corpo decapitado foi realizada com base em uma amostra de DNA extraída do tronco mutilado, de uma escova de dentes e de um pente que pertenciam à jornalista, disse Moller Jensen em uma entrevista coletiva. A polícia também encontrou sangue de Kim Wall no submarino.

O torso havia sido atado a uma peça de metal para permanecer no fundo do mar. As "feridas" levam a pensar que alguém tentou "garantir que o ar e o gás saíssem do corpo para que não subisse à superfície", afirmou o policial.

Há vários dias os investigadores realizam buscas na região, com helicópteros, barcos e uma equipe de mergulhadores. As operações prosseguem em busca de outras partes do corpo.

Desaparecimento

Kim Wall, uma jornalista freelancer de 30 anos que trabalhava entre Nova York e a China, embarcou no dia 10 de agosto no submarino "Nautilus", ao lado do próprio inventor Peter Madsen, para fazer uma reportagem.

Seu namorado denunciou o desaparecimento no dia seguinte. No mesmo dia, Madsen, de 46 anos, foi resgatado pelas autoridades dinamarquesas em Öresund, entre a costa da Dinamarca e da Suécia, antes do naufrágio do submarino.

A polícia acredita que o inventor provocou o naufrágio do "Nautilus" de modo deliberado. A embarcação foi erguida à superfície e examinada pela perícia.

Em um primeiro momento, Madsen afirmou que a jornalista havia desembarcado na Ilha de Refshaleoen, em Copenhague, na noite de 10 de agosto. Depois de detido, mudou sua versão e afirmou que Kim havia morrido em um "acidente" e ele tinha jogado o corpo no mar, na Baía de Koge.

Para a advogada de Madsen, a identificação do corpo de Kim não muda a tese da defesa, ainda mais levando-se em consideração que a necropsia não permitiu esclarecer as causas da morte. "Meu cliente e eu estamos satisfeitos por, finalmente, ter sido estabelecido que (o torso) de Kim Wall foi o encontrado", declarou Betina Hald Engmark, citada pela Dansk Radio.

Após o anúncio das autoridades dinamarquesas, a mãe da jornalista expressou em sua página do Facebook sua "dor e raiva infinita".

O "UC3 Nautilus" era o maior submarino de fabricação caseira do mundo no momento de sua construção em 2008 por Peter Madsen, com a ajuda de um grupo de voluntários. / AFP

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