Corpos de norte-coreanos bóiam para Coréia do Sul

Enchentes deixam mais de 300 mil desabrigados e aumenta escassez de alimentos no país

JESSICA KIM, REUTERS

21 de agosto de 2007 | 10h02

Os corpos de 11 norte-coreanos, vítimas das inundações que mataram centenas de pessoas no país, boiaram por rios até a Coréia do Sul, disseram autoridades sul-coreanas nesta terça-feira, 21.As enchentes destruíram milhares de edificações, deixaram mais de 300 mil desabrigados e devastaram lavouras no país, que habitualmente já enfrenta escassez de alimentos, segundo agências humanitárias internacionais.Os corpos de seis homens e quatro mulheres flutuaram pelo rio Imjin e foram achados na semana passada por soldados que vigiam a região da fronteira por onde passa o rio, cerca de 60 quilômetros a noroeste de Seul, segundo um bombeiro da província de Gyeonggi.O Ministério da Unificação informou que outro corpo foi levado por outro rio até a província sul-coreana de Kangwon."Notificamos a Coréia do Norte de que encontramos 11 corpos e que eles serão entregues mais tarde", disse um funcionário do ministério.O bombeiro de Gyeonggi disse que nos últimos anos um ou dois corpos cruzaram a fronteira boiando, mas que nunca haviam passado tantos em tão pouco tempo.A ONU disse na semana passada que pelo menos 221 pessoas haviam morrido e 81 estavam desaparecidas na Coréia do Norte. Na segunda-feira, a Cruz Vermelha Internacional anunciou um apelo pela doação de 5,5 milhões de dólares para ajudar 3,7 milhões de norte-coreanos.A Coréia do Sul, ainda tecnicamente em guerra com o Norte depois do armistício de 1953, tentará enviar nesta semana ajuda emergencial ao país vizinho.A imprensa oficial norte-coreana diz que mais de 11 por cento de suas plantações de milho e arroz foram inundadas ou levadas pelas inundações, que saturaram a metade mais baixa do país.Contrariando seu habitual fechamento ao mundo, a Coréia do Norte mostrou na sua TV estatal imagens de inundações na capital, Pyongyang, e em outras partes. Nesta semana, a chuva parou.Na segunda metade da década de 1990, uma onda de fome no país matou até 10 por cento dos 23 milhões de norte-coreanos.(Com reportagem adicional de Jon Herskovitz)

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