MARVIN RECINOS / AFP
MARVIN RECINOS / AFP

Corpos de pai e filha que se afogaram na fronteira dos EUA chegam a El Salvador

A tragédia da família de Óscar gerou indignação em todo o mundo após a publicação de uma foto que mostra os dois caídos mortos às margens do Rio Grande

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2019 | 19h14

SAN SALVADOR - Os corpos dos imigrantes Óscar Martínez e sua filha Valeria, que morreram no dia 23 ao tentar cruzar o Rio Grande para entrar nos EUA, chegaram para serem velados neste domingo, 30, em El Salvador.

A tragédia da família de Óscar, natural de San Martín, no centro de El Salvador, gerou indignação em todo o mundo após a publicação de uma foto que mostra pai e filha caídos mortos às margens do rio que separa os EUA do México, onde ele é conhecido por Rio Bravo.

A imagem mostra a metade superior do corpo da criança entre a camisa e o tronco de Óscar, o que sugere que o pai morreu tentando protegê-la da força da água.

Os corpos foram levados para um cemitério de San Salvador, capital do país. Os veículos funerários precisaram entrar no local por um acesso secundário para evitar a multidão de jornalistas que acompanha o caso. Óscar e Valeria devem ser enterrados nesta segunda-feira, em cerimônia fechada a pedido da família.

Os corpos foram recebidos por Tania Vanessa Ávalos, de 21 anos, mulher de Óscar e mãe de Valeria, que tinha quase 2 anos. Tânia, que conseguiu se salvar, chegou ao país na sexta-feira, acompanhada do cônsul de El Salvador na cidade mexicana de Monterrey, Rafael Rosales.

O jovem casal tentava chegar aos EUA para pedir asilo, como fazem muitos de seus compatriotas que tentam fugir da pobreza e da violência em Sal Salvador.

Eles tinham saído de El Salvador em 3 de abril e já no México ficaram dois meses em um abrigo em Tapachula, no Estado de Chiapas, de onde deram entrada nos trâmites para pedir asilo nos EUA. Mas diante da demora em obter resposta ao seu pedido, desesperaram-se e decidiram continuar o caminho rumo aos EUA. 

A foto dos dois mortos é a representação mais trágica da imigração da América Central para os Estados Unidos. Apesar da imagem e dos constantes pedidos das autoridades, várias pessoas continuam tentando cruzar o Rio Grande para entrar no território americano.

No último mês, a crise ganhou um novo capítulo depois que os EUA deram um ultimato ao México para acabar com o fluxo migratório que passa por seu território rumo ao norte. Sob pressão de Washington, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, está pondo em prática um plano para ampliar a vigilância na fronteira.

Já a ONU pediu que os governos envolvidos no problema tomem medidas para proteger os direitos humanos dos refugiados e dos imigrantes. / EFE e AFP

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