Corpos não cremados podem chegar a 200

O número de corpos não cremados pelos proprietários do crematório de Noble, pequena cidade do Estado da Geórgia, pode passar de 200, segundo investigadores da polícia estadual. No fim da noite deste domingo, eles descobriram mais cinco valas, com 30 cadáveres num bosque próximo ao crematório.?Identificamos outras quatro (valas)?, adiantou Kris Sperry, porta-voz da polícia. A denúncia contra o crematório foi feita na última sexta-feira, quando uma moradora da cidade que passeava pelo bosque tropeçou numa caveira. No sábado e no domingo, as autoridades locais encontraram mais de 80 cadáveres empilhados num galpão.Também acharam ossadas espalhadas pelos jardins do crematório. Mergulhadores deverão inspecionar também o fundo de um lago existente nas proximidades. Apenas 16 corpos foram identificados. O administrador do crematório, Ray Brent Marsh, de 28 anos, foi detido no sábado.Interrogado, ele disse que o forno não funciona há muito tempo. O governador da Geórgia, Roy Burnes, manifestou-se ?chocado e indignado? durante reunião com parentes dos mortos. Ele prometeu punir os responsáveis com rigor. ?Isso não voltará a acontecer aqui?, assegurou. As urnas ficavam em lugares de honra ou eram sepultadas sob pedras tumulares conservadas frescas por flores durante o ano inteiro. Maridos, mulheres, filhas, netos tratavam as urnas com reverência. Agora eles ficaram sabendo que as urnas estavam cheias de madeira queimada.E os seres amados cujas cinzas deviam estar dentro estavam se decompondo, sem ninguém saber, em matagais, seus cadáveres formando pilhas de corpos mumificados ou espalhados no meio de ossos não identificados. ?Eu pensava que falava com as cinzas de mamãe?, disse Barbara Davis.Furiosa e ofendida, Barbara levou parte dessas cinzas ao Centro Cívico do Condado Walter no domingo, juntando-se a centenas de parentes perturbados em busca de respostas, enquanto uma investigação macabra prosseguia nos terrenos do Crematório Tri-State.Pessoas cujos parentes tinham sido identificados faziam de novo planos para a cremação. ?Simplesmente não sei o que pensar?, disse o contabilista Tim Mason. O corpo de seu pai foi o primeiro a ser identificado no crematório. Mas Mason está certo de que sua mãe, falecida em 1995, foi lançada nos matagais para se decompor. Ele se sentia bem achando que os pais repousavam lado a lado. Agora pergunta se um dia encontrarão os restos de sua mãe.A exemplo de outros na comunidade de Noble, na Geórgia, Mason disse sentir-se duplamente traído pois considerava a família Marsh, dona do crematório, sua amiga. A polícia entrou pela primeira vez na propriedade na sexta-feira, após uma mulher ter encontrado um crânio humano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.