Correa acusa oposição de tentar derrubá-lo com golpe de Estado

Presidente diz considerar dissolução do Congresso em meio a protestos de militares

estadão.com.br

30 de setembro de 2010 | 14h38

 

QUITO - O presidente Rafael Correa acusou nesta quinta-feira, 30, setores da oposição ligados ao ex-presidente Lucio Gutierrez de tentar derrubá-lo com um golpe de Estado. Militares e policiais tomaram quarteis, o aeroporto internacional de Quito e o Congresso em protestos contra uma reforma aprovada pela Assembleia Nacional que retira benefícios das forças de segurança. 

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"É uma tentativa de golpe de Estado da oposição e são certos grupos infiltrados nas Forças Armadas e na Polícia que sempre estiveram lá, basicamente grupos da Sociedade Patriótica", disse Correa referindo-se ao partido de Gutierrez.

 

"É claríssimo de onde vem essa tentativa de desestabilizar o país. É impressionante ainda a covardia. Eles vêm com máscaras, golpeiam e jogam bombas de gás lacrimogêneo contra o presidente", denunciou o presidente.

 

Correa ainda acusou os militares de tentarem invadir o seu quarto do hospital, para onde foi levado após uma bomba de gás atingi-lo na perna. "Estão tentando invadir aqui, o meu quarto. Se algo acontecer comigo, a responsabilidade é deles. Eu só queri dizer que meu amor pelo país é infinito", disse.

 

O presidente ainda confirmou que considera dissolver o Congresso. Segundo a nova Constituição equatoriana, aprovada há dois anos, o presidente pode declarar impasse político e solicitar ao Judiciário a dissolução do Parlamento para resolvê-lo.

 

Centenas de pessoas se reuniram nesta em frente ao palácio presidencial de Carondelet, em Quito, para apoiar Correa ante os protestos. Os manifestantes agrediram cinco agentes policiais em frente ao palácio. Os oficiais, porém, não protestavam e apenas acompanhavam autoridades governamentais, segundo testemunhas.

 

A manifestação que reuniu partidários de Correa ocorre em reação aos protestos que centenas de policiais e militares que ocuparam um dos principais quartéis e o aeroporto internacional de Quito.

 

Aos gritos de "Correa, amigo, o povo está contigo", centena de pessoas expressaram seu apoio ao chefe de Estado, que foi ao quartel ocupado em Quito e advertiu os militares que não cederia e não desistiria das reformas.

 

O presidente Rafael Correa propôs ao Congresso uma lei de austeridade para diminuir a burocracia estatal e cortar privilégios de alguns setores do funcionalismo. Deputados do próprio partido do presidente, a Aliança para o País, são contrários à reforma.

Dissolução do Congresso

No final da noite de quarta-feira, a ministra de Políticas de Governo , Doris Solis, disse que Correa poderia solicitar a dissolução do Congresso à Suprema Corte para dissolver o Congresso.

Segundo a nova Constituição equatoriana, aprovada há dois anos, o presidente pode declarar impasse político e solicitar ao Judiciário a dissolução do Parlamento para resolvê-lo.

"É um cenário que ninguém quer, mas é uma possibilidade, quando as condições para a mudança não existem", disse Doris.

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Com Reuters, Efe e AP

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