Correa adverte que seu país está disposto a ir à guerra

Equatoriano, que chegou ontem a Brasília, quer apoio do País na crise

João Domingos e Vannildo Mendes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2008 | 00h00

Ao desembarcar no Brasil na noite de ontem, o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que está disposto a ir à guerra contra a Colômbia, em represália à violação do seu território na operação militar colombiana que resultou na morte de 22 guerrilheiros das Farc. "Minha pátria foi agredida por um governo canalha. Fomos vítimas de um ato bélico, uma provocação de guerra e vamos às últimas conseqüências em defesa da nossa soberania", avisou.Num esforço final para evitar o confronto armado, Corrêa realiza um périplo internacional e se encontra hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de ter passado pelo Peru. Em seguida viaja para Venezuela, Panamá e Nicarágua. Mas ele está pouco confiante numa solução pacífica porque, a seu ver, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, é "um títere", um "mentiroso em quem não se pode confiar". "Não queremos a guerra, mas Uribe não quer paz, quer guerra e isso é um perigo para a estabilidade da América Latina", enfatizou. Correa espera uma punição exemplar da Organização dos Estados Americanos (OEA) e a condenação da comunidade internacional pela agressão sofrida por seu país. "Estamos aqui em busca de uma solução pacífica, mas não vemos muita chance por se tratar de um presidente farsante que tem as mãos manchadas de sangue." Em todo caso, ele deu três condições para uma solução diplomática que evite a guerra: condenação expressa da comunidade internacional, sobretudo de organismos multilaterais como a ONU e a OEA; um pedido de desculpas do governo colombiano; e um compromisso explícito de que não voltará a praticar esse tipo de agressão. Ele disse que veio ao Brasil agradecer à cooperação que o País sempre deu nos conflitos internacionais do Equador e também à postura "ética e firme" do presidente Lula e do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Desde a primeira hora, eles condenaram a agressão covarde à nossa soberania." Correa negou que seu governo tenha dado apoio às Farc e disse que nos últimos anos foram desmantelados 42 acampamentos da guerrilha colombiana ao longo da fronteira do seu país. Informou também que seu governo estava em missão humanitária para libertação de reféns, entre elas a ex-candidata ao governo da Colômbia Ingrid Betancourt, e que Uribe sabia, mas "resolveu nos apunhalar e montar uma farsa internacional".COBRANÇACorrea ouvirá hoje do presidente Lula que tem razão no embate com a Colômbia. Mas Lula também fará uma cobrança: lembrará que o Equador é de paz e, por isso mesmo, precisa ficar longe das Farc. Caso contrto internacional deve ser preservado, o que significa condenar a incário, pode perder a razão na disputa. Para o Brasil, o direiursão colombiana no Equador. Segundo um auxiliar de Lula, a invasão das tropas colombianas foi um "caso pensado", pois aconteceu duas vezes: primeiro no combate com as Farc e depois para a busca de corpos e apreensão de equipamentos.Pela manhã, em Campinas, o presidente Lula disse que irá pedir uma investigação à OEA sobre a ação das forças colombianas em território equatoriano. Na sua avaliação, embora seja difícil, a solução precisa ser pacífica. "Ninguém quer voltar atrás naquilo que fez", disse. "Obviamente, do ponto de vista prático, a Colômbia poderia ter pedido ao Equador que prendesse membros da Farc. Como isso não ocorreu, houve a divergência e vamos ter que encontrar uma solução para ela."

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