Correa ameaça usar Polícia contra ´manobra´ do Congresso

O esquerdista Rafael Correa, presidente eleito do Equador, ameaçou nesta segunda-feira usar a Polícia contra o Congresso caso os deputados opositores tentem uma "manobra" legal para designar o futuro procurador-geral do país."Estou aqui para respeitar e fazer respeitar a Constituição", disse. "Se for nomeado um procurador-geral pelo Congresso, o que seria inconstitucional, pois, simplesmente, não será reconhecido, usaremos a Polícia e não permitiremos que ele tome posse", ameaçou.Correa acusou a maioria parlamentar de ter dividido os cargos públicos de várias instituições de controle, especialmente entre os partidos mais fortes da Câmara. Segundo o presidente eleito, o Partido Renovador Institucional Ação Nacional (Prian), do magnata Álvaro Noboa, teria pedido a Procuradoria do Estado; enquanto o Sociedade Patriótica (PSP), do ex-presidente Lúcio Gutiérrez, a Controladoria.O poder em algumas instituições chaves "já foi repartido" entre a maioria legislativa, reiterou Correa, após advertir que os deputados opositores tentariam designar o novo procurador-geral, em uma alusão ao fim do prazo do Conselho Nacional da Judicatura (CNJ) para apresentar os candidatos."Como (o bloco opositor) pode fazer isso, se é o CNJ que tem que apresentar o terno para escolher o procurador-geral?", questionou Correa, que presume que seus adversários vão argumentar que o prazo máximo de 20 dias para apresentar os aspirantes acabou.A controvérsia pela designação do novo procurador-geral é outro dos elementos da disputa política que se instalou no país faltando uma semana para que Correa assuma o poder. Esta disputa está focada na proposta do presidente eleito de convocar uma Assembléia Constituinte com plenos poderes e que foi rejeitada pela maioria parlamentar.Correa reiterou que a Constituinte é apoiada por mais de 80% da população e assegurou que qualquer tentativa de bloqueá-la será contrária aos interesses do povo.Alguns analistas políticos equatorianos advertiram que a disputa política pode gerar um "choque de trens" no país, ao considerar que o Parlamento, dominado pela direita, tentará impedir a todo custo a Constituinte, defendida com veemência por Correa.

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