Dolores Ochoa/AP
Dolores Ochoa/AP

Correa diz que muitos edifícios desabaram após terremoto por ‘má construção’

Presidente do Equador pediu à população que tire da tragédia ‘lições para o futuro’ e que o país seja ‘mais rigoroso com as normas de construção’

O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 09h26

PEDERNALES, EQUADOR - O presidente do Equador, Rafael Correa, garantiu na segunda-feira que muitos edifícios desabaram após o terremoto que abalou o país no sábado "por má construção" e pediu que os equatorianos tirem "lições para o futuro" dessa dolorosa experiência.

"Muitos edifícios desabaram por má construção. Ninguém quer fugir das responsabilidades, mas essa responsabilidade é principalmente dos governos locais", disse durante uma visita a Pedernales, no Estado de Manabí, onde fo registrado o epicentro do sismo.

"Espero que tiremos lições para o futuro dessa dolorosíssima experiência. Depois do terremoto do Haiti, começou-se a estudar normas de construção muito mais fortes, que já em 2014 passaram a ser aplicadas. Mas antes disso realmente havia construções muito precárias e talvez por isso os danos sejam maiores", completou o presidente.

Correa também urgiu o país a ser "mais rigoroso com as normas de construção". "Em um terremoto de quase 8 graus na escala Richter, no Japão e nos EUA também desabariam edifícios, mas provavelmente em menor quantidade e de maneira menos catastrófica. Aqui há edifícios que foram se comprimindo, achatando, e isso ocorre por falhas estruturais", afirmou.

Esperança. "Estamos desesperados, mas não perdemos a esperança, há sinais de que sob os escombros há pessoas com vida", disse Laura Taco, diante do hotel Royal, em Pedernales, onde sua cunhada e sua sobrinha estavam quando ocorreu o terremoto.

O Royal era um hotel de cinco andares com piscina, mas em um minuto foi reduzido a uma pilha de escombros, como quase toda a cidade na costa do Pacífico, convertida no marco zero do terremoto que deixou 413 mortos e mais de 2 mil feridos.

Parentes de quatro pessoas que estavam no hotel seguem acreditando em um milagre. Segundo os protocolos internacionais, as primeiras 72 horas são decisivas para se encontrar sobreviventes.

"Não se comunicaram conosco e temos certeza de que estão aqui porque o carro está lá atrás, no estacionamento", disse Laura, com o olhar fixo no trabalho das equipes de resgate.

Os dois estavam diante do hotel após percorrer, sem sucesso, o necrotério montado em um estádio de futebol, os hospitais de campanha e vários albergues. "Fizemos uma verificação dos corpos e não encontramos nossos parentes", contou Laura.

Uma funcionária do hotel revelou ao casal que viu seus parentes na piscina pouco antes do terremoto. "Acreditamos que saíram da piscina e subiram para o quarto antes de ocorrer o terremoto", disse Laura.

A sobrinha e a cunhada de Laura faziam parte de um grupo de quatro pessoas que havia chegado de Quito de férias. "Encontramos o prédio destruído. Nos disseram que há sinais de vida e isto nos deu esperanças", disse.

As equipes de socorro, que contam com a ajuda de 16 bombeiros colombianos, utilizam um scanner capaz de captar as batidas de um coração sob os escombros.

O tenente Ricardo Méndez, comandante da equipe de bombeiros, confirmou que foram detectados sinais de vida sob os escombros do hotel, que fez um giro de 90 graus antes de desmoronar. Com o auxílio de escavadoras mecânicas, os bombeiros conseguiram abrir um estreito buraco por onde desceram os socorristas, que chamam por sobreviventes. /AFP


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