Correa nega ajuda das Farc em campanha

Relatório com base em arquivos de computador de líder rebelde indica que houve auxílio financeiro para eleição do equatoriano em 2006

, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2011 | 00h00

QUITO

O presidente do Equador, Rafael Correa, negou ontem que tenha recebido dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para financiar sua campanha à presidência em 2006. "Nunca na minha vida conheci alguém das Farc. Nunca recebi 20 centavos de uma organização dessa natureza", disse Correa. "Se alguém em nome da campanha pediu dinheiro às Farc, foi vítima de estelionato."

De acordo com o relatório Os arquivos das Farc: Venezuela, Equador e os arquivos secretos de Raúl Reyes, lançado na terça-feira em Londres pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IIEE), membros da campanha de Correia pediram uma ajuda financeira de US$ 100 mil às Farc, com a anuência do então candidato.

O estudo, de 240 páginas, também acusa o presidente venezuelano, Hugo Chávez, de ter pedido à guerrilha ajuda para "atacar, neutralizar ou liquidar" adversários políticos na Venezuela e de oferecer US$ 483 milhões aos rebeldes.

O relatório do IIEE afirma ainda que existem indícios "diretos e circunstanciais" de que Correa tinha interesse e conhecimento das negociações para contribuições ilegais da guerrilha a sua campanha.

Em depoimento tomado em 2006 por autoridades colombianas e repassado ao IIEE, um guerrilheiro das Farc garantiu ter se reunido com intermediários da campanha de Correa. Posteriormente, ele teria conversado, por telefone e pessoalmente, com Ricardo Patiño, atualmente chanceler do Equador, e com o próprio candidato.

A publicação cita comprovantes bancários descobertos no computador de Reyes que mostram o depósito de US$ 100 mil para o emissário das Farc e Jorge Brito, partidário do presidente equatoriano, em 13 de outubro de 2006.

Embora não haja prova documental de que e o dinheiro tenha sido transferido para a campanha, os autores do estudo argumentam que, por causa da época do pagamento, às vésperas da eleição de novembro, uma coincidência é altamente improvável.

Patiño negou as acusações. "Não conheço e nunca encontrei ninguém das Farc", disse. Os 8.382 documentos nos quais a publicação se sustenta foram retirados do computador de Raúl Reyes, então número 2 das Farc, morto em uma ação militar colombiana no Equador, em 2008. A operação deixou 25 mortos e causou o rompimento das relações diplomáticas entre Quito e Bogotá. / AP

OS ARQUIVOS DE RAÚL REYES

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