Correa nega ''eixo venezuelano''

Em entrevista, presidente destaca liderança do Brasil

AP, AFP e Efe, QUITO, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2009 | 00h00

O presidente do Equador, Rafael Correa, destacou ontem a importância do papel do Brasil como líder regional. Em entrevista ao jornal espanhol El País, Correa também ressaltou a posição de respeito mantida pelo governo brasileiro em suas relações com outros países."Ninguém pode duvidar da importância do Brasil", disse o presidente, que foi reeleito nas eleições de domingo. "Sempre houve o mais profundo respeito em relação aos demais países da América Latina. Sempre houve isso por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."O líder equatoriano ainda negou a existência de um "eixo" entre seu país, a Venezuela e a Bolívia e assegurou que Quito mantém "excelentes" laços com todas as nações. "Provavelmente viajei mais vezes para o Brasil do que para a Venezuela", afirmou Correa. Na entrevista, o presidente também propôs a criação de um banco regional que respalde as moedas nacionais.Ontem, o governo do presidente americano, Barack Obama, cumprimentou Correa por sua reeleição e elogiou o processo eleitoral de domingo, qualificando-o de "transparente e pacífico". "Os EUA continuarão desenvolvendo uma cooperação com o Equador, de forma coerente com nosso compromisso com a democracia equatoriana", afirmou em nota o Departamento de Estado.DENÚNCIA ELEITORALDe acordo com os números divulgados ontem pelo Conselho Nacional Eleitoral, 78% das urnas já foram apuradas. Os resultados preliminares dão a Correa uma vitória com 51,88% dos votos. Em segundo lugar está o ex-presidente Lucio Gutiérrez, com 28%, seguido pelo empresário Álvaro Noboa, que obteve 11,6% dos votos.Gutiérrez denunciou ontem um suposto roubo de votos em favor de Correa e incitou seus partidários a pedir um segundo turno."Quero convocar o povo equatoriano, todos que votaram em Lucio Gutiérrez, para a resistência. Não vamos deixar que roubem o segundo turno", disse ele, que rejeitou admitir sua derrota depois que Correa se proclamou vencedor.O opositor, que durante a campanha expressou dúvidas sobre a transparência do processo, acusou o governo de roubar "centenas de votos". Gutiérrez foi destituído em 2005 antes de completar seu mandato.A missão da União Europeia que participou como observadora das eleições questionou a imparcialidade do processo, mas elogiou sua organização.

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