Correa proíbe ministros de dar entrevistas à 'imprensa indecente'

Presidente do Equador adverte que seu governo não tolerará o que chamou de 'liberdade para a extorsão'

QUITO, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2012 | 03h02

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste fim de semana ter proibido seus ministros de dar entrevistas a emissoras de rádio e TV, jornais e revistas considerados por ele "negócios indecentes". "Por que temos de dar informações a meios de comunicação que nada mais querem do que encher os bolsos de dinheiro?", declarou o presidente num discurso, no sábado.

Na sexta-feira, um tribunal de Quito tinha indeferido um pedido da organização não governamental Fundamedios - que havia impetrado a medida diante dos indícios de blecaute de informações por parte dos ministérios. Correa qualificou de "bobagem jurídica" o recurso apresentado pela Fundamedios, com a qual manteve uma intensa disputa verbal. Correa acusa a ONG de defender interesses de grupos poderosos nacionais e estrangeiros.

O presidente equatoriano também insistiu que seu governo respeita a liberdade de expressão, mas advertiu que não tolerará o que chamou de "liberdade para a extorsão" exercida "por vários meios de imprensa privados".

No começo do ano, Correa ganhou na Justiça uma ação indenizatória que condenou o jornalista Emilio Palacio e o jornal El Universo a pagarem US$ 80 milhões sob a alegação de ter sido caluniado numa coluna do diário. Sob pressão, Correa abriu mão de receber a indenização. Palacio, sentindo-se ameaçado, pediu e obteve a concessão de asilo político nos EUA.

Para Correa, alguns meios de comunicação de seu país e da América Latina "abusam do poder midiático". "Não vamos dar mais força a essas empresas", disse. O presidente acrescentou que seus ministros só falarão com "meios de imprensa decentes". / EFE

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