Rolando Enriquez/EFE
Rolando Enriquez/EFE

Correa retorna ao Equador para liderar campanha por reeleição indefinida

Emenda proposta por seu sucessor tenta impedi-lo de retornar ao cargo em 2021, em meio a cisão no partido governista

O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2018 | 12h03

QUITO - O ex-presidente equatoriano Rafael Correa (2007-2017), que de aliado virou o principal opositor de seu sucessor, Lenín Moreno, retornou nesta sexta-feira, 5 ao país para liderar a campanha pelo "não" na consulta convocada para inabilitá-lo à reeleição.

O retorno de Correa, que vivia na Bélgica desde que deixou o cargo em maio, antecipa uma nova queda de braço com Moreno, em meio a uma disputa de poder que mantém em crise o movimento de esquerda Aliança País.

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“A consulta é inconstitucional, ilegal e ilegítima", disse o ex-chanceler Ricardo Patiño, presidente  da ala correísta do partido do governo.

Moreno, ex-vice-presidente de Correa entre 2007 e 2013, propôs uma emenda constitucional para eliminar a reeleição indefinida, defendida por seu antecessor, que se tornou em seu principal inimigo político e não descarta a possibilidade de se candidatar em 2021.

Em meio à divisão do governo, o embaixador do Equador ante a ONU em Genebra, Guillaume Long, anunciou nesta quinta-feira sua renúncia ao cargo e qualificou as iniciativas de Moreno de autoritárias e inconstitucionais. “Recuso-me a ser cúmplice do perigoso autoritarismo, disfarçado de falso ecumenismo e espírito dialogante, que hoje coloniza agressivamente o nosso Equador”, afirmou Long. “Preocupa-me também que, na falta de gestão neses meses, seu governo tenha se dedicado exclusivamente a turvar a gestão de Correa.”

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“Correa estará aqui para apoiar e, certamente, posicionar-se à frente da campanha pelo Não porque a figura política dele se destaca”, acrescentou Patiño.

O correísmo acusa Moreno, presidente da AP reconhecido pelo Conselho Eleitoral, de se aliar à oposição para fazer desaparecer o legado da autodenominada revolução cidadã de Correa.  Moreno quer restabelecer a reeleição uma única vez, como definia a Constituição de 2008 antes de o Congresso emendá-la em 2015.

Treze milhões de equatorianos estão convocados a votar para responder a sete perguntas, entre as quais se propõe reestruturar um órgão criado por Correa para designar autoridades eleitorais e de controle. "Se o Sim vencer, implicaria que Lenin Moreno teria todos os poderes em suas mãos. Seria uma clara ditadura civil que teríamos no país porque se apoderaria das funções eleitoral, jurisdicional, de controle", expressou Patiño.

Moreno, cuja gestão tem 71% de aprovação, segundo consulta da Cedatos, tem o apoio de setores da oposição para sua consulta, também destinada a inabilitar condenados por corrupção a entrar na política.

Jorge Glas, aliado de Correa, deixou na quarta-feira de ser vice-presidente de Moreno diante da falta definitiva  no cargo ao permanecer preso desde 2 de outubro por receber  US$13,5 milhões  em propinas da Odebrecht./ AFP

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