Correa se proclama vencedor das eleições do Equador

O candidato esquerdista à presidência do Equador, Rafael Correa, que aparece na frente em várias pesquisas de boca-de-urna e é fortemente apoiado pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, se proclamou na noite deste domingo vencedor das eleições do país, e assumiu a "vitória" com "serenidade, esperança e gratidão". Segundo pesquisa de boca-de-urna divulgada pela televisão Teleamazonas, Correa tem 57% dos votos válidos no 2º turno, enquanto seu adversário, o populista de direita Álvaro Noboa, obtém 43%. A margem de erro da sondagem da emissora é inferior a 1 ponto porcentual. Todas as outras três pesquisas de boca-de-urna realizadas por emissoras de TV equatorianas apresentaram números semelhantes. Em um tom conciliador, Correa disse que é um dia "histórico para a pátria", sem vencedores ou vencidos entre os cidadãos. "Começamos a recuperar a pátria. Hoje não termina uma jornada, começa uma outra decisiva, jamais nossa luta foi por enviar um homem à Presidência, sempre foi pela pátria", afirmou Correa em sua primeira mensagem após a divulgação dos resultados das pesquisas. O esquerdista diz que recebe a vitória com serenidade porque entende que "tanta ilusão, alegria e esperança de todo o povo não é por dois cidadãos, mas por esse afã de mudança, por acreditar que uma pátria nova e melhor para todos e todas é possível". Para Correa, sua virtual vitória é uma demonstração que, "após muitos anos de trevas políticas, econômicas e sociais excludentes", a esperança dos equatorianos não foi roubada. "Hoje, essa esperança venceu e por isso recebemos o triunfo com profunda serenidade e humildade, porque sabemos que não é o apoio a duas pessoas, mas à esperança. Nós somos tão só instrumentos do poder cidadão", afirmou.Correa ressaltou que "o povo equatoriano" assumirá o governo no dia 15 de janeiro e não apenas duas pessoas, ele e seu companheiro de candidatura, o virtual vice-presidente Lenin Moreno. Correa disse que assume sua vitória com "gratidão às milhares de mãos anônimas que lutaram voluntariamente para levar adiante o triunfo do projeto cidadão". O candidato também reiterou que não assinará o Tratado de Livre-Comércio com os Estados Unidos por considerar que este só beneficiaria aos americanos. Em sua primeira entrevista coletiva após as eleições realizadas neste domingo, Correa antecipou o eventual gabinete, informando que Ricardo Patiño será ministro da Economia; Alberto Acosta assumirá a Energia; Janet Sánchez, o Bem-estar Social; Gustavo Larrea, a pasta de Governo, e Carlos Casal será o presidente da empresa estatal Petroecuador. Além disso, o candidato indicou que irá renegociar a dívida externa "sem excluir a possibilidade de uma moratória unilateral caso a situação do país a requeira". Ao assinalar que o Equador deve integrar-se a blocos políticos e econômicos, Correa afirmou que deve fazer parte de um bloco de países produtores de petróleo, anunciando que o País voltará a integrar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual fez parte até meados da década de 1990 e, segundo ele, não deveria ter saído. Apuração Os dados das pesquisas de boca-de-urna foram divulgados cinco minutos antes do fechamento das urnas, ocorrido às 17h (20h em Brasília), embora TSE tenha pedido para emissoras de televisão não divulgarem pesquisas deste tipo. Segundo o ex-senador chileno José Antonio Viera Gallo, convidado especial da Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) para observar as eleições no Equador, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) do Equador deve começar a emitir resultados oficiais parciais a partir das 21h (0h em Brasília), quatro horas após o fechamento das sessões. Gallo enfatiza que a apuração oficial "leva tempo e, portanto, é preciso esperar com calma" os resultados definitivos. O ex-senador lembra que as pesquisas de boca-de-urna são "uma indicação, uma projeção, que tem uma margem de erro". O Tribunal Supremo Eleitoral deve concluir a apuração oficial na próxima quarta-feira.

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