Correa terá maioria na Constituinte

Pesquisas apontam que o partido do presidente equatoriano pode obter até 72 das 130 cadeiras da Assembléia

AP, AFP e Efe, Quito, O Estadao de S.Paulo

01 de outubro de 2007 | 00h00

O vice-presidente equatoriano, Lenín Moreno, afirmou ontem que o partido governista, Aliança País, ganhará a maioria das cadeiras da Assembléia Constituinte, que foi convocada pelo presidente Rafael Correa para "refundar o país". "É um triunfo da cidadania e de um governo que cumpre com sua palavra", afirmou Moreno.Os resultados oficiais serão divulgados pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) entre 20 e 30 dias, mas os principais institutos de pesquisa dão razão ao vice-presidente. De acordo com estimativas divulgadas ontem pelo instituto Cedatos-Gallup, o partido do presidente deveria conseguir entre 66 e 72 das 130 cadeiras da Constituinte. Na noite de ontem, Correa declarou que o número de cadeiras obtidas pode chegar a 80. Serão 24 eleitos em nível nacional, 100 no âmbito provincial e seis virão do exterior.Mais de 9 milhões de eleitores estavam aptos para a votação que escolheria os responsáveis pela redação da nova Carta Magna do Equador - a 20ª da história do país. A Constituinte será instalada no dia 31 e funcionará durante 180 dias, podendo ser prorrogada por mais dois meses.A ONG Participação Cidadã - uma das observadoras do processo eleitoral - afirmou que muitos eleitores enfrentaram desorganização nos locais de votação. De acordo com o TSE, a eleição foi suspensa em Cabo San Francisco, na Província de Esmeraldas, noroeste do país, quando algumas pessoas descontentes com o governo local queimaram cerca de 300 cédulas eleitorais.Na cerimônia de abertura da eleição, Correa assegurou que a votação seria "a mais democrática das últimas décadas". "Sentimos na sociedade a espada do libertador Simón Bolívar marchando por toda a América Latina", afirmou Correa. O líder da oposição, Álvaro Noboa, praticamente reconhecendo a derrota, mostrou-se disposto a trabalhar em conjunto com o partido de Correa desde que o governo aceite seu "projeto liberal". O vice-presidente Moreno também disse que está aberto a um "consenso" entre governo e oposição.Há nove meses ocupando a cadeira presidencial, Rafael Correa afirmou que colocará seu cargo à disposição da Constituinte. Disse ainda que pedirá a dissolução do Congresso unicameral, o qual ele qualifica de "corrupto e incompetente". O partido de Correa não tem nenhum deputado no Congresso em razão do boicote à eleição legislativa do ano passado.A oposição o acusa de buscar um projeto de caráter marxista, uma cópia do que defende seu colega Hugo Chávez. No entanto, na semana passada, o presidente equatoriano disse que, diferente de Chávez, ele não pressionará a Constituinte para derrubar a cláusula que proíbe a reeleição, pois não tem interesse em promover reformas constitucionais para perpetuar-se no poder.

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