Rachel Wisniewski/Reuters
Rachel Wisniewski/Reuters

Correio dos EUA alerta sobre atrasos no envio de votos pelo serviço postal

Em carta aos Estados, Serviço Postal (USPS) explica que mesmo que os eleitores cumpram com os prazos estabelecidos em suas jurisdições, ele não poderá garantir que seus votos sejam entregues a tempo

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2020 | 13h07

WASHINGTON - O serviço postal dos Estados Unidos alertou em comunicado à maioria dos Estados do país que milhões de votos enviados por correio para a eleição presidencial de novembro poderão não chegar a tempo de serem contabilizados, informou a imprensa americana.

O comunicado, com data de 29 de julho e enviado às autoridades eleitorais de 46 Estados e da capital, Washington, explica que mesmo que os eleitores cumpram com os prazos estabelecidos em suas jurisdições, o Serviço Postal (USPS) não poderá garantir que seus votos sejam entregues a tempo, como noticiou o jornal The Washington Post.

Para a eleição de 3 de novembro, são esperados um número sem precedentes de votos por correspondência, devido à pandemia do novo coronavírus. De acordo com a agência Reuters, até metade dos eleitores americanos poderá votar por correspondência.

Em desvantagem nas pesquisas diante de seu adversário democrata Joe Biden, o presidente Donald Trump já iniciou uma Campanha contra o voto por correio, que favoreceria o seu concorrente. "Os democratas sabem que a eleição de 2020 será um desastre fraudulento. Talvez nunca saibamos quem ganhou!", tuitou.

O presidente tem repetido incessantemente que o voto por correio pode levar a uma fraude eleitoral em grande escala, uma afirmação sem fundamento.

O ex-presidente Barack Obama criticou as afirmações de Trump e escreveu no Twitter na sexta-feira que o atual governo está "mais preocupado com a supressão dos votos do que com o vírus".

Apesar das cartas de advertência enviadas aos Estados, o USPS afirmou estar "bem preparado e plenamente capacitado para ser o correio eleitoral" do país, em um comunicado divulgado pela CNN.

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Trump - que votou pelo correio - deixou claro que acredita que, se essa prática se generalizar, os democratas conseguirão mais votos. O voto por correspondência "não favorece os republicanos", declarou ele em abril.

Na sexta-feira, a porta-voz da senadora democrata Elizabeth Warren, Saloni Sharma, informou que a agência reguladora interna do Serviço Postal dos EUA está investigando cortes de gastos que atrasam entregas e alarmaram parlamentares. A investigação foi pedida pela senadora.  

O inspetor-geral do Serviço Postal também irá examinar possíveis conflitos de interesse envolvendo o novo diretor-geral, Louis DeJoy, que doou US$ 2,7 milhões para Trump e seus colegas republicanos.

DeJoy possui milhões de dólares em ações de concorrentes e clientes do Serviço Postal, de acordo com um formulário de transparência financeira de sua mulher. / AFP e REUTERS 

 

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