Correspondentes confirmam libertação de jornalista chinês

Zhao Yan, colaborador do 'The New York Times', foi preso em Pequim há três anos

EFE

15 de setembro de 2007 | 03h17

O jornalista chinês Zhao Yan, colaborador do jornal americano "The New York Times" em Pequim, preso há três anos por revelação de um suposto segredo de Estado, foi libertado neste sábado após cumprir três anos de pena, segundo organizações profissionais na capital chinesa. O Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC) expressou em comunicado sua satisfação com a libertação de Zhao e pediu ao Governo chinês mais transparência. A organização quer que o jornalista recupere todos os seus direitos trabalhistas. "Continuamos preocupados com a falta de transparência no processo que levou a Zhao à prisão por suspeitas de revelar segredos de Estado e por fraude. Pedimos que o Governo torne públicas as acusações", afirmou o FCCC. A prisão de Zhao e a acusação de espionagem que pesa sobre Ching Cheong, do jornal "The Straits Times", de Cingapura, "fazem muitos correspondentes estrangeiros se perguntarem sobre o suposto compromisso de abertura na imprensa para os Jogos Olímpicos". Além disso, disse o FCCC, "o caso de Zhao sublinhou o problema do assédio e da intimidação aos jornalistas na China". "Esperamos que a sua libertação seja o começo do fim de tais práticas", acrescentou. O Clube pediu ao Governo chinês a homologação de sua legislação sobre segredos de Estado e segurança nacional com as práticas da ONU. "Sempre dissemos que Zhao é um honrado trabalhador, cuja única falta parece ter sido exercer o jornalismo. Esperamos que após cumprir a pena ele possa retomar sua vida e retornar à profissão sem restrições", disse Bill Keller, diretor-executivo do "NYT". Zhao "foi utilizado", segundo a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), em um vazamento de informação política considerada "segredo de Estado" e publicada em 2004 pelo "NYT" a esperada renúncia do ex-presidente Jiang Zemin ao seu último cargo como chefe militar chinês. O jornalista chinês, na época, estava começando a trabalhar para o "NYT", depois de se tornar conhecido por denunciar a corrupção entre os funcionários chineses. Segundo a RSF, pelo menos 35 jornalistas e 51 'ciberdissidentes' chineses estão presos por publicar ou contribuir para informações que incomodam o regime.

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