The Washington Post /J. Lawler Duggan
The Washington Post /J. Lawler Duggan

Corrida às armas, só entre as minorias nos EUA

FBI e lojas registram aumento de vendas entre negros e membros da comunidade LGBT

O Estado de S.Paulo

07 de março de 2017 | 05h00

As vendas de armas e munição nos EUA caíram drasticamente desde as eleições presidenciais de novembro, segundo estatísticas do FBI, proprietários de lojas de armas e relatórios de corporações. Esse movimento é natural sempre quando se elege um presidente que promete proteger o direito à posse.

Os vendedores e os defensores das armas dizem que a vitória de Donald Trump acabou com o senso de urgência de comprá-las que alguns sentiram sob a presidência de Barack Obama, que tentou proibir a venda de alguns modelos.

Mas esse declínio foi acompanhado de um crescimento incomum: os clubes de armas e as lojas dizem que, desde novembro, houve um aumento do interesse em armamento de clientes negros e da comunidade LGBT. Philip Smith, presidente da Associação Nacional Afro-americana de Armas, disse que o grupo teve um elevado aumento de adesões em razão do temor de que a política do atual governo possa levar a uma espiral de violência com base em raça e gênero. “Trump é parte da motivação, além da retórica de outros grupos,” disse Smith. “Parece que agora é legal ser racista.” 

Smith disse que seu grupo teve a adesão de mais de 7 mil membros desde as eleições e novas filiais estão surgindo em todo o país, incluindo uma na cidade de Bowie, Maryland, que abriu no mês passado com 55 membros. 

“As pessoas estão assustadas, e com razão”, disse Stephen Yorkman, que fundou a filial em Maryland da associação. “Eles se sentem melhor ao pelo menos aprender a atirar ou comprar uma arma.”

A venda de armas em nível nacional vem sofrendo uma queda depois de registrar um recorde durante o governo de Barack Obama. Segundo o FBI, a venda de armas caiu de 3,3 milhões em dezembro de 2015 a 2,8 milhões em dezembro de 2016. Em janeiro deste ano, houve 2 milhões de pedidos de antecedentes, em comparação aos 2,5 milhões em janeiro de 2016.

Tom Mannewitz, proprietário de uma loja de armas em Garland, Texas, diz que está contente com o fato de Obama ter deixado o cargo, mas reconhece que o democrata foi bom para seus negócios: sua loja registrou 8% de aumento nas vendas do fuzil de assalto AR-15 durante sua presidência. Obama e a candidata democrata Hillary Clinton ameaçaram proibir a venda desse tipo de arma. 

O clube de tiro LGBT Pistolas Pink também viu um aumento no número de adesões no ano passado depois que um atirador matou 49 pessoas em uma boate gay em Orlando e após a eleição de Trump. Muitos membros temem que ele reduza os direitos dos gays e acham que têm de aprender a se defender. / W. POST

 

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