Corrupção dispara na Argentina, diz relatório

Ranking da Transparência mostra piora em percepção de irregularidades

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Buenos Aires - A corrupção argentina está "desenfreada", segundo a organização Transparência Internacional. A Argentina, no último ano do governo do presidente Néstor Kirchner, ocupa o posto número 105 num ranking do qual participam 180 países - relacionados a partir dos países mais honestos (Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia) até os mais corruptos (Mianmá e Somália). No continente americano, com 32 países analisados, a Argentina divide com a Bolívia o 23º lugar do ranking.Desde a primeira lista, em 1996, a Argentina nunca conseguiu classificar-se numa posição de aprovação mundial. Além disso, o país foi um dos que mais caíram no ranking ao longo da última década.Em 2003, quando Kirchner tomou posse, a Argentina registrava um índice menor de percepção de corrupção - ocupava o 92º posto. Em 1998, quando o presidente era Carlos Menem, a Argentina estava no posto número 61.Segundo Laura Alonso, diretora da ONG Poder Ciudadano, que representa a Transparência Internacional na Argentina, a colocação no ranking "reflete o processo de estancamento" das medidas para o combate à corrupção. Ela ressalta que o país não implementou a Lei de Ética Pública, apresentada em 1999.ESCÂNDALOSSegundo o Poder Ciudadano, entre 1989 e 2007 foram registrados 27 grandes casos de corrupção, entre os quais os escândalos da privatização da estatal telefônica Entel (1990) e o contrabando de armas para a Croácia e o Equador (1995).Os mais recentes, surgidos nos últimos meses, são o "banheirogate" (entre US$ 64 mil e US$ 241 mil foram encontrados no banheiro do gabinete da ex-ministra da Economia Felisa Miceli) e o "escândalo da maleta" (o caso no qual o venezuelano Guido Antonini Wilson, homem vinculado a assessores de Kirchner e ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, tentou entrar no país com US$ 950 mil sem declarar).Em plena campanha para a eleição presidencial de 28 de outubro, partidos da oposição responsabilizam o governo Kirchner pelo crescimento da corrupção.

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