Vincent Yu/AP
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Corrupção pode destruir PC, diz Hu

Em último discurso como líder chinês, presidente alerta para os riscos que irregularidades representam para a cúpula do poder no país

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE, FELIPE CORAZZA, ENVIADO ESPECIAL / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2012 | 02h03

PEQUIM - No último discurso na condição de líder do Partido Comunista da China, Hu Jintao apresentou o combate à corrupção como condição essencial para a sobrevivência da organização e a estabilidade política do país. Segundo ele, o fracasso no controle de irregularidades pode causar "o colapso do partido e a queda do Estado".

Em um novo slogan que encerra seus dez anos na liderança da segunda maior economia do mundo, Hu afirmou que o poder deve ser exercido "à luz do sol". Na próxima quinta-feira, ele deixará o cargo de secretário-geral do Partido Comunista, a mais importante posição no comando do país, mas continuará a ocupar a presidência da China até março.

A organização foi abalada neste ano pelo escândalo envolvendo Bo Xilai, cuja trajetória revelou a fragilidade dos limites ao abuso de poder e ao enriquecimento ilícito dos ocupantes de cargos de comando no país. Também evidenciou os privilégios que cercam as famílias dos integrantes da elite do Partido Comunista Chinês.

No ano passado, o ministro das Ferrovias, Liu Zhijun, foi afastado do cargo que ocupou por oito anos sob a suspeita de ter recebido propinas de 800 milhões de yuans (R$ 260 milhões). Ambos foram expulsos do partido e aguardam julgamento.

A versão escrita do discurso de Hu tinha um apelo que foi omitido na leitura do texto que ele realizou no plenário do Grande Palácio do Povo, em Pequim: "Devem exercer estrita autodisciplina e fortalecer a educação e a supervisão sobre seus parentes e assessores".

A poucos passos de Hu estava o primeiro-ministro Wen Jiabao, cuja família detém uma fortuna de US$ 2,7 bilhões, de acordo com reportagem publicada pelo The New York Times há duas semanas. A agência de notícias Bloomberg investigou parentes do provável sucessor de Hu, Xi Jinping, e encontrou documentos que os vinculam a patrimônio e investimentos de US$ 400 milhões.

Retrospectiva. Como era esperado, Hu fez um balanço positivo dos dez anos que se passaram desde que ele assumiu o comando do Partido Comunista Chinês, mas ressaltou que há uma série de problemas no caminho da organização.

Entre eles, citou o modelo de crescimento desequilibrado, o aumento das disparidades sociais, restrições de caráter ambiental e agravamento de problemas sociais.

Entretanto, observou que no período de sua gestão a China saltou da sexta para a segunda posição entre as maiores economias do mundo. O objetivo agora é duplicar o PIB e a renda per capita até 2020, na comparação com 2010, algo factível mesmo que o crescimento fique na casa dos 7% ao ano.

O congresso do partido ocorre em intervalos de cinco anos e, a cada dez, promove uma mudança na cúpula da organização. Hu tornou-se secretário-geral em 2002.

Entre as principais tarefas do encontro está a eleição de um novo Comitê Central, o 18.º, integrado por 371 pessoas, das quais 204 têm poder de voto. Esse grupo fará sua primeira reunião plenária do dia 15, dia seguinte ao encerramento do congresso, e apontará os novos integrantes do Politburo e de seu Comitê Permanente - os dois órgão máximos de comando da China.

Dois nomes definidos desde o congresso de 2007 são Xi Jinping, que assumirá a presidência, e Li Keqiang, que assumirá o posto de primeiro-ministro no lugar do atual premiê chinês, Wen Jiabao.

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