Corrupção pode levar a China à 'ruína', diz Xi

Em seu primeiro discurso como secretário-geral do Partido Comunista, o novo presidente chinês reforçou alerta feito por seu antecessor, Hu Jintao

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE/PEQUIM , O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h01

Em seu primeiro discurso à cúpula do Partido Comunista da China depois de sua escolha como novo líder do país, Xi Jinping alertou para o risco de a corrupção levar à "ruína" do regime, ao mesmo tempo em que exaltou a necessidade de os membros da organização permanecerem fieis aos princípios marxistas e socialistas que formam o seu "pilar espiritual".

O sucessor de Hu Jintao afirmou que irregularidades e desvios de recursos públicos estiveram entre problemas que provocaram turbulência social e quedas de governos de outros países em anos recentes e que o mesmo poderia se repetir na China.

"Grande número de fatos nos mostram que se a corrupção se tornar cada vez mais séria, ela vai inevitavelmente levar à ruína do partido e do Estado", declarou Xi na segunda-feira, durante a primeira reunião dos 25 integrantes do Politburo escolhidos na quinta-feira para dirigir o partido e o país nos próximos cinco anos.

O organismo ocupa o segundo lugar na hierarquia de comando da organização, abaixo de seu Comitê Permanente, um grupo de sete pessoas que detêm o poder máximo da China, entre os quais está Xi Jinping.

As afirmações são semelhantes às de Hu Jintao há pouco mais de uma semana, em seu último discurso como chefe supremo do Partido Comunista e revelam o grau de preocupação dos dirigentes com o impacto de casos recentes de corrupção.

Xi Jinping reconheceu que membros da organização praticaram "graves violações das leis e de regras disciplinares", foram "politicamente destrutivos" e "chocaram" a população. "Nós temos que ser vigilantes", alertou.

A China foi chacoalhada neste ano pelo escândalo em torno do ex-chefe da cidade de Chongqing, Bo Xilai, que aguarda julgamento sob acusação de corrupção e abuso de poder. Sua mulher, Gu Kailai, foi condenada em agosto à pena de morte suspensa por dois anos pelo assassinato do empresário Neil Heywood, que amanheceu morto em um hotel há um ano.

Até ser afastado dos cargos que ocupava, em março, Bo Xilai era forte candidato a ocupar uma das cadeiras do Comitê Permanente do Politburo.

O novo dirigente também fez uma profissão de fé ideológica, na qual repreendeu integrantes do partido. "A fé no marxismo e a crença no socialismo e no comunismo são a alma política de um comunista e o pilar espiritual que permite aos comunistas resistir a qualquer provação", argumentou.

A responsabilidade por investigar casos de corrupção dentro do partido é de um organismo da própria instituição, a Comissão Central de Disciplina e Inspeção. Desde quinta-feira, o organismo é dirigido por Wang Qishan, integrante do novo Comitê Permanente do Politburo.

O governo confirmou que a chefia da área de Segurança Pública deixará o órgão máximo e passará a ser feita por um membro do Politburo, Meng Jianzhu. Com isso, será reduzido o poder de um setor que se tornou um dos mais poderosos nos últimos cinco anos, quando o aumento dos casos de protestos e conflitos sociais foi enfrentado com o reforço do aparato de segurança.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.