Corte absolve condenados por massacre na Bósnia

Uma corte de apelação do Tribunal Penal da ONU para a ex-Iugoslávia (TPI) suspendeu as penas de três bósnios croatas julgados num dos piores massacres da guerra da Bósnia. Numa derrota surpreendente para os promotores, a corte de apelo, formada por cinco juízes, afirmou que o veredito do julgamento havia cometido um "erro critico". A corte ordenou a libertação imediata dos irmãos Zoran e Mirjan Kupreskic e do primo deles, Vlatko Kupreskic, que haviam sido condenados a 10, 8 e 6 anos de prisão, respectivamente. Os juízes também reduziram as penas de outros dois réus. Desde que o TPI foi criado, em 1993, esta foi a primeira vez que uma corte de apelação suspendeu as penas de uma corte de instância inferior e absolveu os réus. Poucas horas depois do anúncio da absolvição, os três homens foram retirados do centro de detenção de Scheveningen, um subúrbio de Haia, no qual haviam permanecido detidos por quatro anos. Eles e os outros dois réus que tiveram suas penas reduzidas haviam sido condenados em janeiro de 2000 por participação nos massacres de Ahmici, em 1993, no qual mais de 100 bósnios muçulmanos foram mortos no vale do rio Lasva, na região central da Bósnia. Parentes dos réus, que acompanharam o anúncio da corte no auditório público, se abraçaram e choraram de alegria quando a juíza Patricia Wald, que presidia os trabalhos, anunciou as absolvições. Os irmãos levantaram seus punhos em sinal de triunfo, enquanto lágrimas caíam de seus olhos. O caso das atrocidades cometidas no vale do rio Lasva, baseado numa acusação de 1995, foi um dos primeiros a serem julgados em Haia e refletiu a inexperiência do tribunal em lidar com o relato traumático de sobreviventes e com as testemunhas das guerras balcânicas. Milícias bósnias croatas lançaram a ofensiva do vale do rio Lasva no amanhecer do dia 16 de abril de 1993, reunindo-se em Ahmici e em outros povoados próximos. Em poucas horas, as milícias mataram 113 pessoas, incluindo dezenas de mulheres e crianças, e queimaram as casas e mesquitas da área. Depois de avisar, na noite anterior, os residentes croatas sobre os ataques, as forças bósnias croatas conhecidas como "brincalhões" invadiram 169 casas e expulsaram toda a população muçulmana. A campanha visava "limpar" a área de muçulmanos, segundo os juízes responsáveis pelo caso.

Agencia Estado,

23 Outubro 2001 | 23h47

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