Corte atômico de 80% não reduziria a segurança dos EUA

Segundo instituto Global Zero, arsenal nuclear de Washington deveria passar de 5 mil para 900 peças em 10 anos

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2012 | 07h44

Os EUA poderiam reduzir seu arsenal nuclear em cerca de 80% sem pôr a segurança do país em risco. A avaliação é do instituto Global Zero, uma entidade com base em Washington que tenta eliminar as armas atômicas do planeta no futuro.

O estudo foi conduzido por militares e civis de diferentes correntes políticas, liderados pelo general James Cartwright, que foi o segundo homem das Forças Armadas dos EUA e tem boas relações com Barack Obama. O presidente, no passado, declarou apoio ao Global Zero, apesar de destacar ser "realisticamente impossível" eliminar todas armas nucleares neste momento.

Na avaliação da entidade, os EUA deveriam reduzir de 5 mil para cerca de 900 o total de armas atômicas ao longo dos próximos dez anos. "Esses passos poderiam ser dados em consonância com a Rússia por meio de determinações presidenciais recíprocas, negociações bilaterais ou aplicados unilateralmente", diz o relatório publicado ontem.

O Global Zero avalia que China, França e Grã-Bretanha teriam interesse em reduzir seus arsenais, caso Washington e Moscou tivessem apenas entre 500 e 1 mil armas. O mesmo se aplicaria a Israel, Paquistão e Índia, que não são signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). A Coreia do Norte não é mencionada no estudo.

De acordo com o relatório, "o mundo bipolar do século 20, com o confronto entre EUA e União Soviética, transformou-se num mundo multipolar, com numerosas bases emergentes de poder geopolítico, econômico e militar".

"Os EUA, para se defenderem de uma agressão no mundo de hoje, dependem bem menos de armas nucleares", diz o estudo. Os exemplos citados foram as recentes guerras no Iraque e no Afeganistão, onde não foram usadas armas atômicas.

A Rússia e os EUA já assinaram um acordo, o Start, para reduzir a quantidade de armas nucleares estratégicas para 1.550 até 2018. A medida, assinada por Obama, foi duramente criticada pelos republicanos. Segundo os opositores, deveria ter havido uma preocupação maior com o arsenal atômico tático.

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