Corte autoriza Mugabe a reter resultado da eleição

Frustrando a esperança da oposição, a Suprema Corte do Zimbábue decidiu ontem que não vai obrigar o governo a divulgar imediatamente o resultado oficial das eleições presidenciais do dia 29. O presidente Robert Mugabe recusa-se a publicar os resultados, alegando que a Comissão Eleitoral está investigando "anomalias". O pedido à corte foi feito pelo opositor Movimento pela Mudança Democrática (MMD), que afirma que seu candidato, Morgan Tsvangirai, venceu já no primeiro turno. Para protestar contra a decisão judicial, o MMD convocou, para hoje, uma greve geral em todo o país. "Estamos lidando com um regime que aperfeiçoou a arte de interferir no Judiciário. E a corte escolheu ser um pilar desse regime em colapso", afirmou Nelson Chamisa, porta-voz da oposição.O MMD acusa Mugabe de segurar os dados oficiais para ganhar tempo e fraudar os resultados. Com isso, ele pode usar Exército, polícia e milícias ligadas a ele para intimidar os partidários da oposição e permanecer no poder. Desde a votação, grupos armados ligados ao governo vêm promovendo uma onda de violência contra opositores. A ONG Zimbabwe Lawyers for Human Rights afirmou que já registrou 130 ataques a membros da oposição ou a funcionários independentes que monitoram a contagem dos votos. Segundo o grupo, 2 zimbabuanos foram mortos e 29 estão internados em estado grave. Há 28 anos no poder, Mugabe é acusado de arruinar a economia do país, que tem a inflação mais alta do mundo (100.000% ao ano) e onde o desemprego atinge 80% da população.

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