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Corte confirma ex-DJ como presidente de Madagáscar

Líder da oposição de 34 anos assume o governo após golpe militar que derrubou o presidente

Agências internacionais,

18 de março de 2009 | 09h09

A Alta Corte Constitucional de Madagáscar confirmou nesta quarta-feira, 18, o líder da oposição Andry Rajoelina como presidente da república ao reconhecer a ordem de transferência de poderes do diretório militar do país ao ex-DJ de 34 anos. novo presidente da ilha celebrou sua ascensão ao poder e consolidou-se no cargo depois de ter sido nomeado pelos militares, em um movimento que atropelou a Constituição da ilha do oceano Índico.

 

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Rajoelina, 34 anos, um ex-disc-jóquei, festejou com partidários na rua após encontrar-se com seus ministros para planejar estratégias. As prioridades para o mais novo líder da África são os programas de combate à pobreza exigidos pelos moradores, administrar as preocupações internacionais sobre sua subida ao poder e controlar alguns dissidentes nas forças armadas. "Nós traremos o retorno à vida normal, à segurança e sobretudo a reconciliação nacional, que está no coração da democracia", disse ele a milhares de pessoas que celebravam na praça 13 de Maio, na capital Antananarivo. Ele disse que tomará posse no sábado.

 

O empresário é conhecido em Madagáscar como "TGV" - sigla do trem francês de alta velocidade. Só um golpe de Estado como esse poderia ter levado Rajoelina tão cedo ao topo da política local. A Constituição malgaxe estabelece que os presidentes tenham pelo menos 40 anos para ocupar o cargo, 6 a mais do que o ex-DJ tem hoje. Ele apareceu pela primeira vez no cenário político em dezembro de 2007, quando venceu as eleições para a prefeitura da capital, Antananarivo. Radialista, empresário e dono de emissoras de rádio e uma de televisão, o novo líder sempre vendeu a imagem da "Madagáscar jovem".

 

O presidente Marc Ravalomanana renunciou na terça-feira sem ter nenhuma outra opção depois que a maior parte dos militares decidiu apoiar o seu rival, que liderou semanas de protestos e greves contra o governo. O paradeiro de Ravalomanana era incerto. Seus adversários o haviam acusado de corrupção e de perder o contato com a realidade da maioria da população, que luta para sobreviver com menos de US$ 2 per capita por dia.

 

A pior revolta no país em anos matou pelo menos 135 pessoas, devastou o setor de turismo, que fatura US$ 390 milhões ao ano no país, e preocupou multinacionais com investimentos nos setores de mineração e petróleo. A União Africana exigiu na terça-feira que a Constituição fosse respeitada. Mas o fato de que as forças armadas se recusaram a tomar o poder, como Ravalomanana havia requisitado, significa que a entidade não deve classificar o que ocorreu no país como golpe, o que poderia levar à suspensão de Madagáscar de seus quadros.

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