Corte da ONU solta generais sírios detidos no caso Hariri

O tribunal internacional da ONU que investiga o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, em 2005, determinou ontem a libertação de cinco generais sírios presos há quase quatro anos sob suspeita de participação no crime. O juiz Daniel Fransen, responsável pela Corte, decidiu que não há provas suficientes para justificar a detenção dos militares.Soltos da prisão em que estavam em Beirute, os generais sírios foram aclamados por centenas de pessoas que os aguardavam do lado de fora. Um deles, Jamil al-Sayyed, disse que o caso era "político", mas garantiu que não haverá "vingança".A pouco mais de um mês das eleições parlamentares, a libertação prejudica a coalizão governista, conhecida como 14 de Março, cuja principal figura é o filho do ex-premiê, Saad Hariri. Pesquisas mostram que a oposição a Saad, chamada de 8 de Março e liderada pelo grupo xiita Hezbollah, com apoio da Síria, ganhará força nas urnas.Com as libertações de ontem, o tribunal da ONU, que tem sede na Holanda, não mantém mais nenhum suspeito sob custódia. A mudança no depoimento de uma testemunha-chave teria motivado a decisão do juiz. O procurador da investigação, Daniel Bellemare, disse que não recorrerá da decisão.Responsável pela reconstrução de Beirute após a guerra civil (1975-1990), Hariri foi morto em um atentado suicida. Na época, ele liderava um movimento anti-Síria. Seu assassinato levou a grandes protestos, que culminaram na saída de tropas sírias do Líbano, após 29 anos de ocupação.

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