Corte de Haia condena ex-presidente da Libéria por crimes de guerra

Taylor é 1º ex-chefe de Estado condenado por tribunal internacional em décadas

Jamil Chade - Correspondente / Genebra,

26 Setembro 2013 | 16h03

O ex-presidente da Libéria Charles Taylor tornou-se hoje, dia 26, o primeiro ex-chefe de estado a ser condenado por um tribunal internacional desde a Segunda Guerra Mundial e os tribunais de Nuremberg. Taylor passará o restante de sua vida na prisão, após o Tribunal Penal Internacional ter rejeitado seu último recurso e mantido a condenação de 50 anos por crimes cometidos durante a guerra civil em Serra Leoa.

Os advogados de Taylor, de 65 anos, argumentavam que erros graves haviam sido cometidos no processo que, em 2012, o condenou por enviar armas à Frente Unida Revolucionária, grupo de rebeldes que o pagavam com diamantes. O ex-presidente liberiano foi condenado por cooperar com o terrorismo, uso de crianças como soldados, violações e assassinatos. Segundo Richard Lussick, o juiz da corte, Taylor foi responsável por "alguns dos atos mais horríveis da história humana".

Os juízes o condenaram por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, mas o tribunal o inocentou de ter planejado as atrocidades. A guerra em Serra Leoa fez 120 mil mortos. Durante o processo, a model Naomi Campbell e a atriz Mia Farrow chegaram a dar seus testemunhos sobre os diamantes que Taylor negociava.

Longe da barbárie da guerra e com um terno impecável, Taylor escutou de forma impassível a leitura da condenação, durante mais de uma hora. Ele havia argumentado que apenas entrou em contato com os rebeldes para pedir que deixassem de lutar.

"A sentença de 50 anos de prisão deve ser imposta imediatamente", declarou o juiz George King. Para advogados e especialistas em direito internacional, a decisão da corte era aguardada com muita atenção, já que dá um sinal claro de que mesmo pessoas em altos níveis de poder podem ser levadas à Justiça e condenadas.

Vídeo mostra o momento da sentença:

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