Corte do Paquistão sentencia cinco americanos por planejar atentados

Jovens muçulmanos estariam planejando ataques contra o Paquistão e seus aliados

AP

24 de junho de 2010 | 09h54

SARGODHA - Cinco americanos foram declarados culpados nesta quinta-feira, 24, de acusações de terrorismo por uma corte paquistanesa e sentenciados a 10 anos de prisão em um caso que elevou a preocupação de ocidentais a viajarem para o Paquistão para contactar a Al-Qaeda e outros grupos extremistas islâmicos.

 

O julgamento dos jovens muçulmanos de Washington D.C., uma área sensível para os EUA, que tem o dever de assegurar a justiça para seus cidadãos no exterior, mas também pressionou o Paquistão para pôr fim às milícias.

 

Os homens foram presos no Paquistão em dezembro depois que suas famílias os deram como desaparecidos. Promotores disseram que históricos de e-mails e testemunhos provaram que eles estavam planejando ataques terroristas nos Paquistão e conspiravam em ir a guerra contra nações aliadas com o país, uma referência ao Afeganistão, para onde os homens haveriam viajado.

 

O juiz emitiu dois termos de prisão para cada homem, um de 10 anos e outro de cinco anos. Uma cópia da decisão vista pela Associated Press diz que os termos devem ser servidos ao mesmo tempo.

 

Os homens não disseram nada quando o veredicto foi lido, disse o procurador chefe Rana Bakhtiar. Anteriormente, os homens alegaram que haviam sido torturados pela polícia paquistanesa e por agentes do FBI. As alegações foram negadas pelas autoridades no Paquistão e nos Estados Unidos. Seus advogados falaram que eles irão recorrer da decisão.

 

O julgamento aconteceu com uma rapidez não usual em um país onde casos geralmente se arrastam por anos e onde sentenças por terrorismo são raras e muitas vezes revertidas depois de recorridas.O julgamento foi fechado para jornalistas e observadores, e foi conduzido por um único juiz em uma corte especial anti-terrorismo.

 

Os homens foram identificados como Ramy Zamzam ascendência egípcia, Waqar Khan e Umar Farooq de ascendência paquistanesa, e Aman Hassan Yemer e Ahmed Minni de ascendência etíope. Um deles teria deixado para trás um vídeo de despedida nos Estados Unidos mostrando cenas de guerra e casualidades e dizendo que os muçulmanos devem ser defendidos.

 

O pai de Umar Farooq, Khalid Farooq, chamou o veredicto de "um grande desapontamento"e insistiu que o homem queria ir para o Afeganistão para fazer trabalho humanitário, e não para lutar. O homem também queria ver Umar se casar em Sargodha, disse.

 

Os homens foram presos em na casa de Farooq em Sargodha depois que ele disse que havia falado para eles evitarem a viagem. Farroq, uma americano de origem paquistanesa que também possui uma residência e um negócio em Alexandri, Virgínia, foi detido por 20 dias.

 

"Eu irei imediatamente para a corte superior, até a Corte Internacional de Justiça, para fazer justiça com esses jovens inocentes", disse Farooq, que não teve permissão para assistir ao julgamento. "Eu não tive a chance de ver o meu filho ou os outros meninos. Eu ouvi que eles estavam muito frustrados e precisavam ser consolados".

 

"Não era um caso em que se enquadraria um sentença", disse o advogado de defesa Hassan Dastghir. "Estou confiante de que ganharemos o caso nos níveis de apelação".

 

Autoridades americanas pouco falaram em público sobre o julgamento, e nesta quinta, o porta-voz da embaixada Richard Snelsire disse apenas que os Estados Unidos respeitam a decisão das cortes paquistanesas.

 

Washington está tentando contornar o sentimento anti-americano no governo do Paquistão, nas forças de segurança e na mídia, enquanto pressiona Islamabad para expulsar o taleban, a Al-Qaeda e outras redes militantes que usam o seu território.

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