AFP PHOTO / PAUL J. RICHARDS
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Corte dos EUA bloqueia veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

Juíza do distrito de Washington ordenou um 'retorno ao status quo', ou seja, a continuidade da medida adotada pelo presidente anterior Barack Obama, que determinava que os transgêneros podiam ser aceitos em fileiras militares a partir de janeiro de 2018

O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 16h20
Atualizado 30 Outubro 2017 | 16h54

WASHINGTON - Uma juíza federal americana bloqueou nesta segunda-feira, 30, a decisão do presidente Donald Trump de proibir o recrutamento de militares transgêneros

Após decisão de Trump, Canadá convida transgêneros a se alistarem nas Forças Armadas

Colleen Kollar-Kotelly, do tribunal do distrito de Washington, ordenou um "retorno ao status quo", isto é, a continuidade de uma medida adotada pelo presidente anterior Barack Obama, que determinava que os transgêneros podiam ser aceitos em fileiras militares a partir de 1º de janeiro de 2018.

Em julho, Trump anunciou em sua conta no Twitter que o "governo dos Estados Unidos não aceitará ou permitirá que indivíduos transgêneros sirvam em qualquer capacidade nas Forças Armadas". Além disso, um memorando presidencial estabeleceu que os militares poderiam dispensar os Transgêneros do serviço a partir de março de 2018.

Estas duas medidas foram suspensas pela decisão desta segunda. A magistrada decidiu manter em vigor, no entanto, a diretriz do governo republicano que proíbe o uso de verbas de fundos de saúde para cirurgias de mudança de sexo.

O governo Trump ainda pode apelar da decisão. Questionada sobre a questão, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, afirmou que "era algo que tinha acabado de acontecer", mas que o Departamento de Justiça estava avaliando quais atitudes tomaria.

Já os ativistas de direitos LGBTS e advogadores que representam militares transgêneros comemoraram a decisão. "Estamos muito aliviados pelos nossos clientes e pelos outros transgêneros em serviço (nas Formas Armadas)", afirmou Shannon Minter, do Centro Nacional para os Direitos Lésbicos, que ingressou com ações contra a medida de Trump.

"As vidas deles (militares transgêneros) foram devastadas desde que Trump publicou aquele primeiro tuíte no qual retomava o veto", afirmou Minter. "Agora, eles poderão servir em termos de igualdade com as demais pessoas."

As Forças Armadas americans não possuem dados oficiais sobre membros transgêneros e as estimativas são desencontradas. Um estudo recente da Think Tank RAND Corporation afirmou que ao menos 2,5 mil militares em atividade são transgêneros. Já dados reunido pelo Williams Institute da UCLA Law School cifrou em 15,5 mil os soldados transgêneros, considerando os que estão na ativa, na Guarda Nacional e na reserva. / AFP e WPOST

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