Corte Internacional tem audiência sobre fronteira entre Costa Rica e Nicarágua

Tensão entre países cresceu após acusações de uma invasão militar em território costa-riquenho

Estadão.com.br

11 de janeiro de 2011 | 15h20

HAIA - A Corte Internacional de Justiça (CIJ) abriu nesta terça-feira, 11, em Haia as audiências sobre a demanda posta pela Costa Rica contra a Nicarágua por uma suposta invasão militar em um território fronteiriço, o que fez escalar a tensão entre os países.

 

Segundo informações da agência de notícias AFP, um painel de 16 magistrados escutará durante três dias os argumentos da Costa Rica e Nicarágua sobre esta nova disputa entre ambos os países vizinhos e pela qual São José solicita que se imponham medidas de urgência.

 

São José pede à CIJ, órgão judicial máximo da ONU, que ordene a Manágua a retirada de um grupo de militares que supostamente invadiram em outubro a pequena ilha fluvial de Portillos, situada perto da desembocadura do rio San Juan no Caribe e cuja soberania é disputada pelos dois Estados.

 

Igualmente, os costa-riquenses pedem à corte que dite a interrupção dos trabalhos para a construção de um canal que Manágua estaria levando a cabo nesta zona, causando danos ambientais.

 

Os nicaraguenses refutam todas as acusações e assim se defenderão frente aos magistrados durante a tarde de terça-feira, depois que a delegação costa-riquenha apresentar seus primeiros argumentos.

 

"Estamos perante uma incursão em nosso território e esta é uma das grandes preocupações do governo e do povo costa-riquenho", declarou à AFP momentos antes de iniciar a sessão o agente da Costa Rica ante a CIJ, Ugalde Alvarez.

 

Alvarez, integrante da delegação encabeçada pelo chanceler René Castro Salazar, confiou em "poder convencer" o tribunal da ONU. "Cremos ter a razão", defendeu.

 

A delegação nicaraguense é liderada pela ministra do Meio Ambiente, Juana Argeñal Sandoval, enquanto o embaixador de Haia, Carlos Argüello, é seu agente.

 

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou na segunda que seu país respeitará a decisão da CIJ, e que espera um prazo de várias semanas ou meses se as supostas tropas militares tiverem que ser retiradas do território costa-riquenho.

 

"Insistimos que não há nenhuma base no que eles dizem (...) são simplesmente operações eventuais quando há sinais da presença de narcotraficantes, já que é uma zona onde ninguém quer estar por causa das condições inóspitas", afirmou Ortega.

 

A disputa de fronteira fez as relações bilaterais ficarem mais tensas, com a intensificação de acusações nos últimos dias.

 

Na última segunda, um porta-voz do exército da Nicarágua declarou à imprensa ter elevado os níveis de alerta perante supostos planos de provocação de "grupos extremistas" da Costa Rica que buscam acentuar o conflito territorial com "choques armados".

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