Corte ordena governo a dar droga antiaids a grávidas

Pediatras e ativistas da aids da África do Sul comemoram hoje uma vitória judicial histórica no país. O governo será obrigado a fornecer o remédio antiaids nevirapina para mulheres grávidas, o que evita a transmissão do vírus para o bebê. A decisão é da Corte Superior de Pretória. O governo pode recorrer na Suprema Corte. A ação foi proposta pelo grupo ativista Treatment Action Campaign (TAC).Assim que o resultado do julgamento foi anunciado, os ativistas estouraram garrafas de champanhe. Do lado de fora do prédio da corte, mães soropositivas com seus bebês contaminados receberam a notícia com entusiasmo. Nenhum representante do governo estava na corte para comentar a decisão. Ações - O departamento de Saúde do governo sul-africano terá de voltar à corte no dia 31 de março para apresentar o plano de distribuição da nevirapina em todo o país. O governo se recusa a adotar programas que garantam o acesso aos remédios antiaids nos serviços públicos de saúde, com o argumento do alto custo dos medicamentos e preocupação com sua segurança.A forma como o governo sul-africano lida com a aids é alvo de críticas no mundo todo. O presidente Thabo Mbeki questiona a relação da aids com o vírus HIV e usa esse argumento para não informar a população sobre a doença nem dar tratamento adequado. Mbeki vai mais longe: já chegou a dizer que os efeitos dos remédios antiaids são tão ruins quanto os sintomas da doença que tratam.Entre 70 mil e 100 mil bebês nascem com HIV a cada ano na África do Sul. O país tem o maior número de pessoas infectadas no mundo. Estima-se que um em cada nove sul-africanos tenham o vírus da aids.

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