Corte ordena novo julgamento de Mubarak

Tribunal aceita recurso do ex-ditador e de seu ex-ministro do Interior; decisão aumenta a crise política no Egito

CAIRO, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2013 | 02h06

O Tribunal de Apelações do Egito anulou ontem a sentença proferida em junho contra o ex-presidente Hosni Mubarak e ordenou a realização de um novo julgamento para ele e para seu ex-ministro do Interior, Habib al-Adli. Ambos haviam sido condenados à prisão perpétua pela repressão e morte de egípcios durante a revolta popular, em 2011.

Mubarak foi deposto após 30 anos no poder e foi o primeiro governante árabe a ser levado à Justiça por seu próprio povo. A decisão de aceitar o recurso do ex-presidente ocorre às vésperas do aniversário do levante, em 25 de janeiro, e mergulha o país novamente na instabilidade política. O governo do novo presidente, Mohamed Morsi, corre o risco de enfrentar uma crise ainda mais grave e prejudicar seus esforços para restaurar a ordem e economia destruída. O Egito ainda enfrenta sérios problemas financeiros. O país se prepara para uma eleição parlamentar nos próximos meses e a ansiedade, além das incertezas econômicas e dos violentos protestos, têm levado os cidadãos a sacarem suas poupanças.

Para tentar amenizar a crise e evitar o colapso, o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, disse ontem que a União Europeia e outras instituições financeiras ofereceram ao Cairo mais de 5 bilhões para apoiar a transição democrática.

Durante o julgamento de Mubarak, que durou dez meses, muitos manifestantes acusaram os generais e funcionários do governo, vistos como leais ao ex-ditador, de protegê-lo. Um novo julgamento pode reviver pedidos de afastamento daqueles vistos como remanescentes do antigo regime.

"O tribunal decidiu aceitar o recurso interposto pelos réus e ordenar um novo julgamento", informou ontem o juiz Ahmed Ali Abdel Rahman. Em seguida, uma multidão de partidários de Mubarak, que estava presente na audiência, gritou "Deus é o maior" e "Viva a Justiça". Eles também aplaudiram e assobiaram quando o juiz leu a sentença do recurso.

O futuro do ex-ditador, no entanto, permanece incerto. Como o julgamento voltará à estaca zero, Mubarak poderá ser julgado por acusações mais sérias envolvendo seu regime - além das acusações de corrupção, pelas quais foi absolvido em junho. / REUTERS e EFE

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