Corte palestina manda libertar Ahmad Saadat

Um tribunal palestino ordenou hoje a libertação de um líder da OLP cuja facção assassinou no ano passado o ministro do Turismo de Israel. O detido, Ahmad Saadat, está atualmente sob custódia dos Estados Unidos e Grã-Bretanha numa prisão palestina, como parte de um acordo que levou ao fim dos 34 dias de confinamento que Israel submetia o líder palestino Yasser Arafat em maio.Apesar da decisão do tribunal, não houve sinais imediatos de que Saadat, líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina, seria libertado de sua cela na cidade de Jericó, Cisjordânia.O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse que o Estado judeu "tomará todas as medidas necessárias? para que Saadat não seja libertado.Arafat, que freqüentemente ignora deliberações de cortes palestinas, não tomou uma decisão final sobre o destino de Saadat. Não ficou imediatamente claro o que ele fará."O presidente Arafat se encontra num grande dilema porque, por um lado, ele tem de respeitar a decisão da corte e, por outro, o governo israelense irá chantageá-lo ou tentará assassinar ou capturar Saadat", caso ele seja libertado, considerou Saeb Erekat, um ministro palestino.Uma autoridade americana, que pediu para não ser identificada, disse que os agentes de segurança dos EUA na prisão apenas monitoram a situação, e não têm poderes para manter Saadat preso caso os palestinos decidam libertá-lo.O grupo de Saadat assumiu responsabilidade pelo assassinato em outubro do ministro do Turismo Rehavam Zeevi, que foi baleado num hotel de Jerusalém. Israel exigiu a extradição de cinco suspeitos no caso, incluindo Saadat.Entretanto, a polícia palestina deteve os cinco. Quando tropas israelenses ocuparam a cidade de Ramallah, Cisjordânia, em 29 de março, e cercou o quartel-general de Arafat na cidade, palestinos transferiram os cinco para uma área do complexo onde Arafat estava confinado.Durante o cerco israelense, os palestinos estabeleceram um tribunal dentro dos escritórios de Arafat e condenaram quatro dos homens. Eles receberam sentenças que vão de um a 18 anos. Saadat não foi acusado ou julgado.Como parte do acordo que permitiu a liberação de Arafat, todos os cinco, mais um suspeito de contrabando de armas, foram transferidos em 1º de maio para a cela em Jericó, onde estão sendo observados por agentes britânicos e americanos.Na audiência de hoje, que durou uma hora, os três juízes da Alta Corte de Justiça decidiram por unanimidade que Saadat deveria ser liberado. Quando a decisão foi anunciada, dezenas de partidários da FPLP comemoraram.O advogado de Saadat, Raji Sourani, afirmou que procuradores palestinos não apresentaram provas contra seu cliente. "Agora temos de ver se a Autoridade Palestina irá implementar a decisão", disse Sourani.O advogado destacou que, no mês passado, Arafat assinou uma lei garantindo a independência do Judiciário.Numa reunião de gabinete no domingo, o chefe do Shin Bet, o serviço de inteligência israelense, Avi Dichter, reclamou que os detidos na prisão em Jericó estavam recebendo um número ilimitado de visitas e tinham permissão de se misturarem, o que, segundo ele, viola o acordo alcançado no mês passado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.