AFP PHOTO / Vasily MAXIMOV
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Corte rejeita recurso e afasta de eleição principal opositor russo

Condenado a 5 anos de prisão, Alexei Navalni diz que acusação de desvio de fundos pretende impedi-lo de concorrer

O Estado de S. Paulo

03 Maio 2017 | 19h46

MOSCOU - Um tribunal da Rússia condenou a 5 anos de prisão o principal opositor do governo do presidente Vladimir Putin, Alexei Navalni, de 40 anos, por desvio de fundos, o que poderia bloquear o lançamento de sua candidatura para a eleição presidencial de 2018.

O tribunal regional de Kirov, 900 quilômetros a leste de Moscou, negou o recurso de Navalni, que em fevereiro foi condenado por apropriação indébita de € 400 mil de uma empresa estatal de exploração florestal, em 2009, quando era consultor do governo liberal da região.

O blogueiro e opositor, que fez da luta contra a corrupção sua bandeira política na Rússia, pode ver prejudicada sua candidatura. “Um cidadão russo não tem o direito de participar nas eleições se tiver sido condenado à prisão por atos graves e se sua sentença não tiver sido totalmente cumprida no dia da votação”, declarou à agência de notícias Tass uma autoridade da comissão eleitoral, Maia Grichin.

Seu assessor direto, Leonid Volkov, afirmou no Facebook que a nova sentença “não tem nenhum impacto” sobre a candidatura de Navalni. O opositor nega qualquer irregularidade e assegura que o processo é um complô contra ele.

Navalni foi preso em 26 de março no centro de Moscou, durante uma manifestação não autorizada convocada pelo dia nacional de protesto contra a corrupção. Apesar de as autoridades de Moscou terem alertado que o protesto era ilegal, milhares de pessoas se reuniram na Praça Pushkin e na Rua Tverskaya, no centro da capital russa, e em várias cidades do país. Navalni foi libertado após ter ficado detido 15 dias por ter organizado o protesto sem autorização.

Condenação. Esta não é a primeira vez que Navlani vai a julgamento na Rússia. Pouco depois da última eleição de Putin, em 2012, ele foi condenado a 5 anos de prisão por fraude e peculato, crimes que ele sempre negou. O opositor recorreu da pena com a ajuda do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e acabou libertado. 

No mesmo ano, Navalni, líder do Partido do Progresso, concorreu às eleições legislativas em Moscou e quase derrotou um dos maiores aliados de Putin, Sergei Sobyanin, utilizando apenas as redes sociais e seu blog. / AFP e EFE

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