Corte Suprema critica presidente colombiano

A Corte Suprema de Justiça acusou o governo de interferir nas decisões judiciais, passando por cima da Constituição, em seu esforço para evitar que os ex-líderes do Cartel de Cali, Miguel e Gilberto Rodríguez Orejuela, recuperem a liberdade após cumprirem apenas sete anos de prisão. "Torna-se evidente a interferência do Executivo nacional nas decisões dos juízes, desconsiderando assim a autonomia que, por mandato constitucional, corresponde aos diferentes setores do poder público", disse a Corte, em um comunicado emitido na terça-feira à noite. Acrescentou que as atitudes do governo são "contrárias ao Estado Social e Democrático de Direito, independentemente de ser acertada ou equivocada a determinação" tomada por um juiz, de reduzir em mais de 50% as sentenças dos barões da droga. O presidente Alvaro Uribe reconheceu na terça-feira que, neste caso, "é melhor que alguém seja chamado de arbitrário do que, por ser muito brando, possa afetar a dignidade nacional". Desde a última sexta-feira o governo promove uma batalha legal em todas as frentes para impedir a libertação dos irmãos Orejuela, que, entre 1980 e 1995, controlaram boa parte do mercado de cocaína nos EUA. A Direção Nacional de Estupefacientes (DNE) embargou na terça-feira a fiança equivalente a US$ 10.800 exigida pelo juiz para conceder a liberdade aos irmãos, para que sejam abonadas as multas impostas na sentença, de em torno de US$ 30 milhões - as quais não foram canceladas.

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