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Paralisações de vias desafiam Macri em sua primeira greve geral

Sindicatos desafiam proibição a manifestações decretada na semana passada; governo promete reprimir bloqueio parcial de pista

Rodrigo Cavalheiro, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

24 de fevereiro de 2016 | 15h45

BUENOS AIRES - O presidente argentino, Mauricio Macri, enfrentou nesta quarta-feira, 24, sua primeira greve geral de servidores públicos. Algumas das principais vias de Buenos Aires foram cortadas, em desafio à ordem pela qual seu governo proibiu esse tipo de manifestação na semana passada e prometeu reprimir mesmo interrupções parciais de pistas. Manifestantes garantiam que uma liminar da Justiça, na noite de terça-feira, lhes deu o direito de fechar ruas em todo o país.

Essa é a forma mais usual de pressão de movimentos sociais no país. Organizados pela Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), que tem 200 mil afiliados no país e 32 mil na região metropolitana, os manifestantes bloquearam no fim da manhã e início da tarde a Avenida 9 de Julho, a principal da cidade. A estratégia do terceiro maior sindicato do país provocou um congestionamento contra o qual motoristas, sob um calor de 34ºC, buzinavam compulsivamente.

A razão principal do protesto são 8 mil demissões de funcionários públicos do governo federal desde a posse de Macri, em 10 de dezembro - segundo a ATE, são 20 mil se somadas às feitas por províncias e municípios. O governo alega ter excluído funcionários que não trabalhavam e mantinham o emprego por sua ligação com o kirchnerismo.

Outro motivo para a greve geral é próprio protocolo de resposta criado pelo governo contra o bloqueio de vias. Organizações de trabalhadores o consideram inconstitucional. "Sem que o Congresso aprove a nova ordem, ela não tem validade. E se o Parlamento validá-la, vamos todos presos, não deixaremos de protestar" disse ao Estado Pablo Reyner, diretor de relações internacionais da Central de Trabalhadores Argentina.

A obstrução pelos chamados “piqueteros” é uma estratégia comum não só entre categorias organizadas. Falta de energia, crimes e demissões são razões para o uso dessa tática por pequenos grupos. No governo de Cristina Kirchner, a ordem era não reprimir. A ação policial em grandes atos é incomum e impopular na Argentina desde a crise de 2001, quando se registraram 28 mortes em protestos. 

Macri prometeu em campanha o fim de atos em que “poucos prejudicam milhares”. Em março, sindicatos renegociarão a correção anual dos salários e alguns prometem parar o país diante de aumento inferior a 30%. O governo sugere 25%, a meta de inflação para 2016. 

O texto de tolerância zero anunciado na semana passada prevê que a polícia dará um aviso para que a via ela seja liberada. A ordem é não permitir a presença mesmo sobre parte da pista, uma solução corriqueira hoje. “Se não saírem em 5 ou 10 minutos, vamos tirá­-los de lá”, prometeu a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, que estava nos EUA nesta quarta-feira. Não há unanimidade entre juristas sobre o tema. Andrés Gil Domínguez, professor de direito da Universidade de Buenos Aires, considera a medida constitucional porque veta o corte da via, não o protesto. Ele critica outros pontos, como a permissividade quanto ao uso de armas letais, embora o governo prometa não recorrer a elas.

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