Cortes Islâmicas da Somália perdem última cidade ocupada

A ofensiva lançada em 24 de dezembro pela Etiópia na Somália retirou as Cortes Islâmicas de todas as cidades que ocupavam, terminando nesta segunda-feira, 1º de janeiro, com a conquista da estratégica cidade portuária de Kismayo."Os islâmicos abandonaram Kismayo e nossas tropas estão a caminho da localidade", afirmou o porta-voz do governo de transição somali, Abdirahman Nur Mohammed Dinari. "Tenho informações de que os combatentes islâmicos estão indo para a fronteira com o Quênia (200 quilômetros ao sul de Kismayo)", acrescentou.A retirada dos milicianos islâmicos foi confirmada também por moradores da cidade, por telefone.Houve uma dura luta nas linhas de combate do distrito de Jilib, perto de Kismayo, com intensa troca de tiros de artilharia e uma rebelião interna entre as Cortes Islâmicas.Segundo as fontes, Kismayo está calma. O povo nas ruas se prepara para receber as forças do governo de transição e os soldados etíopes.Não houve cenas de violência nas ruas e a maior surpresa foi a facilidade com que os combatentes islâmicos perderam sucessivamente suas principais fortificações.Na quinta-feira, os milicianos islâmicos se retiraram de Mogadiscio, a capital, quatro dias depois da ofensiva da Etiópia por ar e por terra para apoiar o governo de transição.Eles chegaram a ocupar amplos setores do centro e sul do país, mas foram perdendo sucessivamente todas as áreas que controlavam. Agora se dirigiam para a fronteira sul.Em Mogadiscio, a saída dos milicianos islâmicos foi seguida por violência e saques. Em Kismayo, porém, o cenário foi pacífico. O único caso de saque afetou uma base militar das Cortes Islâmicas, que a população invadiu para tomar o que os militantes deixaram para trás.Mohammed Ali, morador de Kismayo, confirmou que as forças das Cortes Islâmicas tinham abandonado a cidade e na manhã desta segunda não havia nenhum combatente nas ruas.Fontes próximas às Cortes Islâmicas disseram que mais de 4 mil milicianos islâmicos se dirigiam ao sul do país.Antes da retirada de Kismayo, considerada a segunda cidade em importância da Somália, às margens do Oceano Índico, o porta-voz das Cortes Islâmicas, Mohamed Ibrahim Suley, mostrava otimismo. "A luta é esporádica, não há baixas ainda entre nossas forças, mas sabemos que destruímos um veículo militar do inimigo", disse Suley, por telefone, em Jilib."Os mujahedin (guerreiros islâmicos) começarão a luta planejada em toda a Somália. Tenho certeza de que o inimigo não descansará em nosso país", acrescentou o porta-voz.Antes de abandonar Kismayo, os combatentes islâmicos lutaram entre si por causa de divergências sobre a condução da guerra. Cerca de 50 milicianos, nascidos na cidade, se negaram a ir à frente de batalha e começaram a disparar contra as forças das Cortes Islâmicas.Destino das Cortes IslâmicasNão está claro ainda o destino das Cortes Islâmicas. Fontes próximas aos líderes religiosos disseram que elas foram para a península de Raskiamboni, controlada pelo xeque Hassan Abdullah Hersi, conhecido também como al-Turki.Turki está incluído na lista elaborada pelos Estados Unidos de pessoas suspeitas de ligação com o terrorismo internacional.Neste domingo, o primeiro-ministro somali, Ali Muhammad Ghedi, acusou os combatentes islâmicos de acolher supostos autores dos atentados às embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em 7 de agosto de 1998, que causaram 224 mortes."Os militantes islâmicos de Kismayo estão protegendo Fazul Abdullah Mohamed, Saleh Ali Saleh Nabhan e Abu Taha al-Sudani. Continuaremos nossa luta até acabarmos com estes terroristas", disse.AnistiaO governo da Somália ofereceu nesta segunda perdão a qualquer combatente islâmico que decidir depor as armas."O governo está oferecendo anistia aos que entregarem as armas", disse o primeiro-ministro Ali Mohamed Gedi durante uma entrevista coletiva em Mogadiscio. O premiê afirmou ainda que os combatentes islâmicos foram "enganados por terroristas internacionais."Matéria ampliada às 9h49

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