Cortes Islâmicas suspendem ameaça de guerra na Somália

Um porta-voz do Conselho das Cortes Islâmicas anunciou nesta segunda-feira que a milícia não atacará as forças etíopes que apóiam o frágil governo interino da Somália e afirmou que o grupo está aberto a negociações.A mudança de posição ocorre na véspera do encerramento de um prazo de sete dias imposto pelo próprio Conselho das Cortes Islâmicas para que a Etiópia retirasse seus soldados da Somália ou se preparasse para um ataque.A decisão anunciada pelo porta-voz da milícia, Abdirahim Mudey, contrasta com as ameaças feitas na última semana por líderes do movimento islâmico. O fim do prazo "não significa que vamos atacar os etíopes, mas representa uma chance para que eles iniciem negociações conosco", disse Mudey nesta segunda-feira.Apesar do recuo do Conselho das Cortes Islâmicas e da pressão da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Européia (UE) para que os dois lados evitem a guerra, as perspectivas para uma paz de longo prazo ainda parecem incertas.Na sexta-feira, o presidente somaliano, Abdullahi Yusuf, disse que as negociações de paz já não representam mais uma opção. Segundo ele, o grupo islâmico está permitindo que terroristas da Al-Qaeda se estabeleçam no Chifre da África. "Eles efetivamente fecharam as portas às negociações de paz e estão financiando a guerra". Os Estados Unidos também acusam o Conselho das Cortes Islâmicas de possuir ligações com a Al-Qaeda. No entanto, os líderes islâmicos já refutaram essa hipótese diversas vezes.O comissário de Desenvolvimento da União Européia, Louis Michel, deve viajar nesta quarta-feira para Baidoa, sede da administração somaliana, e para a capital do país, Mogadiscio, onde está baseado o movimento islâmico. Para alguns especialistas, uma guerra na região traria novos problemas a um país já devastado pela miséria, onde uma em cada cinco crianças morrem antes de completar cinco anos de idade.

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