Cortes Islâmicas tomam mais uma cidade na Somália

Milícias leais ao poderoso movimento islâmico expandiram o seu controle do país ao tomar uma cidade costeira estratégica, enquanto as conversas de paz com o governo oficial somali continuam estagnadas. Os militantes tomaram pacificamente a cidade de Hobyo, na região central de Mudug, na terça-feira à noite, de acordo com um membro do Conselho das Cortes Islâmicas da Somália. "Não houve lutas e a população nos deu as boas vindas", disse Mohamed Mohamud Agawiene, porta-voz do grupo, à agência Associated Press, por telefone. A tomada da cidade aconteceu já que as conversas em Cartum, no Sudão, entre o grupo islâmico e o governo, permanecem paradas. As negociações deveriam ter começado na segunda-feira, mas delegados dos dois lados ficaram em seus quartos de hotel, se recusando a negociar, segundo a agência de notícias oficial do Sudão informou na terça-feira. A Somália não tem um governo efetivo desde 1991, quando senhores da guerra depuseram o ditador Mohamed Siad Barre, passando então a lutar entre si, levando o país ao caos. Um governo de transição foi formado em 2004 com o auxílio da ONU, na esperança de restaurar a ordem. Mas o governo nunca teve muita autoridade. O movimento islâmico, que começou nos anos 1990, tomou a capital Mogadício, após lutar contra senhores da guerra seculares em junho, e agora controla boa parte do sul do país. O governo controla apenas uma cidade, Baidoa, a 250 quilômetros ao norte da capital. Osman Elmi Bokore, vice-membro do parlamento de transição, disse que a tomada da cidade nesta terça-feira "só irá nos separar" nas negociações. "isso mostra que as cortes não respeitam os acordos com o governo", afirmou. A Somália central não está sob o controle de um grupo em particular, e tem sido palco de violência entre diferentes clãs nos últimos 16 anos. O grupo islâmico tem se expandido em direção à Somália central desde agosto. O Sudão, que atualmente lidera a Liga Árabe de 22 países, tem promovido as conversas de paz na Somália. As negociações tiveram início em Cartum, em junho, quando os dois lados concordaram em um a fórmula para reconhecimento mútuo. Uma segunda sessão foi realizada na cidade no início de setembro, quando os dois lados assinaram um acordo para formar um exército nacional unificado. O grupo islâmico alegou que iria boicotar as negociações desta semana em Cartum em razão da presença de tropas etíopes na Somália. A Etiópia afirma que centenas de seus "treinadores militares" estão na Somália, providenciando conhecimento militar ao governo interino. Membros da ONU no país dizem que milhares de soldados etíopes estão na defesa de Baidoa.

Agencia Estado,

01 Novembro 2006 | 09h41

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