Cortes no Pentágono dividem analistas

Cenário: Denise Chrispim Marin

O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2013 | 02h10

Segundo plano enviado pelo governo americano semana passada ao Congresso, a receita para os militares totalizará US$ 526,6 bilhões em 2014. Até 2023, o Pentágono se verá obrigado a cortar US$ 350 bilhões de seus gastos. O Congresso tende a aprovar os números. Adotado dia 1o de março em razão da ausência de acordo no Congresso sobre a redução de despesas no longo prazo, o "sequestro" já impôs à Defesa um corte adicional de despesas de US$ 41 bilhões até 30 de setembro, quando termina o ano fiscal de 2012. Para o de 2014, o Pentágono terá um orçamento de US$ 475 bilhões, 10% maior que o deste ano.

"O sequestro contribui para o maior corte no orçamento de Defesa em um único ano desde a redução que se seguiu à Guerra da Coreia, em 1955", afirmou Todd Harrison, do Center for Strategic and Budgetary Assessment. Outras reduções expressivas ocorreram nos dois anos de paz do governo de Ronald Reagan (1981-1989) e desde o fim da gestão de George W. Bush (2001-2009), concluiu Robert Zarate, da Foreign Policy Initiative.

O valor sugerido por Obama para a Defesa em 2014 não é modesto. A questão é como gastá-lo, levando-se em conta os desafios dos EUA de manter o combate ao terrorismo, evitar um conflito na Península Coreana e preservar um equilíbrio de forças no Leste Asiático. O Pentágono está preso a despesas crescentes com salários e benefícios para militares, civis da ativa e aposentados que, em 2012, consumiram 34% de seus recursos.

As tropas do Exército e dos marines estão em redução desde o fim da Guerra do Iraque, em 2011, e o início da retirada das forças americanas do Afeganistão, a ser completada em dezembro de 2014. No ano passado, o Pentágono anunciou plano de diminuir 100 mil militares de sua folha de pagamento. Entre 2001 e 2010, porém, o número de funcionários civis aumentou de 100 mil para 800 mil. O custo com as operações e treinamento em tempo de paz consumirá 40% da receita em 2021 se não houver mudanças estruturais. Juntas, essas duas fontes de gasto tendem a devorar todo o orçamento do Pentágono em 2024.

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